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Resumen de ponencia
“A ECONOMIA POLÍTICA DO POSSÍVEL”: O ENSAIO NOVO DESENVOLVIMENTISTA ARGENTINO E BRASILEIRO EM UMA PERSPECTIVA COMPARADA

*Luciana Rosa Souza



Este artigo analisa comparativamente, os ‘ensaios desenvolvimentistas’ aplicados na Argentina e no Brasil após 2003. Comparamos políticas econômicas, aspectos políticos e sociais com base em pesquisa qualitativa, a partir da literatura disponível, sobre os governos de Néstor e Cristina Kirchner, na Argentina; e, Luiz Inácio Lula da Silva, no Brasil. Perguntamos: Quais os pontos de divergência do “ensaio” “novo” desenvolvimentista vivenciado na Argentina e Brasil após 2003? O objetivo é resgatar os projetos novo desenvolvimentistas de cada país observando as diferenças entre eles. O método de pesquisa usou a teoria marginalista (Lindbloom,1959) para análise de políticas públicas. A teoria marginalista usa as análises comparativas e sucessivas para compreender a evolução das políticas públicas. Neste artigo, entendemos que as políticas de desenvolvimento, conhecidas contemporaneamente, por políticas novo-desenvolvimentistas, compõe o espectro mais amplo de políticas públicas, cujo cerne, principal é promover a melhora no padrão de vida da população dos países em questão. Por outro lado, um questionamento interessante e importante a respeito do “ensaio” novo-desenvolvimentista aplicado na América Latina, é até que ponto as mesmas foram ‘autônomas’, e portanto, decididas soberanamente pelos gestores dos países. E até que ponto, tais ações foram sendo tomadas na medida que as possibilidades apareciam, ou seja, ‘a economia política do possível’. O método para buscar os pontos de divergência consiste na análise comparativa viabilizada pela criação de uma tipologia que cruza informações das características do ‘ensaio’ ‘novo’ desenvolvimentista vis a vis as ações e práticas políticas adotadas por cada país nas áreas econômica, social e política. O método para buscar os pontos de divergência consiste na análise comparativa viabilizada pela criação de uma tipologia que cruza informações das características do ‘ensaio’ ‘novo’ desenvolvimentista vis a vis as ações e práticas políticas adotadas por cada país nas áreas econômica, social e política. Uma discussão importante é considerar o ‘novo-desenvolvimentismo’ como a política possível em uma economia capitalista financeirizada, que especialmente, após o início dos anos 2000, na América Latina, passou a questionar política, econômica e socialmente toda e qualquer proposta política que se alinhasse ideologicamente aos preceitos do Consenso de Washington. Assim, foi no bojo deste questionamento político, econômico, social e ideológico que os governos Néstor Kirchner e Luis Inácio Lula da Silva foram eleitos. Ambos os países, no início dos anos 2000 apresentavam os resultados negativos das políticas do Consenso de Washington, seja no nível macroeconômico, (ambos os países tinham altas taxas de desemprego no início dos anos 2000), seja no nível social, com aumentos nos níveis de pobreza, ou no nível político, onde uma crise de legitimidade dos governos democraticamente eleitos fez-se evidente. Mas, as críticas ao Consenso de Washington também vinham de sua estrutura de funcionamento, especialmente, devido às aberturas comercial e financeira, a rigidez no manejo das políticas fiscal, monetária e cambial, e, principalmente, os péssimos resultados mostrados pelos serviços públicos estatais que foram privatizados no período do Consenso de Washington. As evidências elencadas indicam, no início dos anos 2000 na Argentina e no Brasil, a falência do neoliberalismo e de suas práticas, fato que justifica a emergência de propostas de um papel mais protagonista do Estado no processo de desenvolvimento, exatamente o que se viu no ‘ensaio novo-desenvolvimentista’.O artigo foi dividido em três momentos, no primeiro discutimos a emergência dos governos ‘progressistas’ e da retomada da perspectiva de desenvolvimento ‘possível’ em ambos países. Em um segundo momento apresentamos as características gerais e específicas do novo’ desenvolvimentismo na Argentina e no Brasil. Neste segundo momento, detalhamos as especificidades históricas, políticas, sociais e culturais de cada país. Para finalmente, passarmos à comparação do ‘ensaio’ desenvolvimentista em ambos os países.




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* Souza
Universidade Federal de São Paulo Unifesp. Osasco, Brasil