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Resumen de ponencia
UMA ANÁLISE COMPARATIVA DAS CONDIÇÕES DE VIDA DAS FAMÍLIAS EM REGIÕES PERIFÉRICAS E CENTRAL DA CIDADE DE VIÇOSA-MG

*Reinaldo Antônio Bastos Filho



A Segregação Socioespacial é percebida por Maricato (2000) como a expressão maior da exclusão social e se configura em pontos de pobreza generalizada, sendo percebida pela dificuldade de acesso a serviços e equipamentos coletivos, pelas menores oportunidades de emprego e profissionalização, pelos altos índices de violência, pela discriminação social contra mulheres e crianças etc. Ou seja, a condição de vulnerabilidade depende ao mesmo tempo das oportunidades existentes e dos ativos disponíveis para acessá-las (KAZTMAN; FILGUEIRAS, 2006). Considerando então a ideia de que o “espaço importa” (FLORES, 2006; TORRES, FERREIRA, GOMES, 2005) nas condições de inserção e reprodução social das famílias, torna-se relevante conhecer não somente a magnitude do fenômeno da segregação socioespacial, mas também as suas principais características em termos dos grupos socioeconômicos envolvidos, características demográficas, percepção em relação a infraestrutura, perfil migratório etc. No que se refere ao perfil migratório, segundo Cunha (2009), a migração para as periferias brasileiras pode gerar uma deterioração das condições de vida dos migrantes, visto que tal mudança implicaria em dificuldade de acesso ou até mesmo redução da qualidade de serviços públicos, uma vez que, de maneira geral, são locais onde tais serviços apresentam pior qualidade. Ou seja, ainda segundo Cunha (2009, p.1), “a mobilidade espacial (e particularmente a residencial) pode não apenas ter impactos importantes sobre a segregação, mas também ter efeitos diferenciados sobre a vulnerabilidade das famílias ou indivíduos, particularmente aqueles de baixa renda”. Assim sendo, esse trabalho se inicia a partir da oportunidade de pesquisa direcionada pelo trabalho de Bastos Filho, De Almeida Pinto e De Carvalho Fiúza (2017), intitulado "Direito À Cidade: Uma Análise do Espaço Urbano de Viçosa-MG a Partir da Elaboração de um Índice de Segregação Socioespacial" e disponível nos anais do II congresso internacional de política social e serviço social: desafios contemporâneos em 2017. Ou seja, a partir da elaboração do índice de Segregação Socioespacial (ISSE) pelos autores citados acima, foi possível identificar as duas regiões urbanas de planejamento na cidade de Viçosa que são, hoje, as mais segregadas socioespacialmente. Contudo, por abarcar uma análise geral do espaço urbano, onde se buscou mostrar o processo de urbanização e segregação socioespacial, as análises não conseguiram descrever as realidades específicas de cada uma dessas regiões, perspectiva que se busca construir nesse momento. Para tanto, por meio da amostragem probabiliorística e posteriormente aplicação de 196 questionários (Survey), com base na percepção dos chefes de família, eleitos como nossos informantes-chave, buscou-se descrever como se materializa a Segregação Socioespacial no cotidiano das famílias que vivem nessas duas regiões mais segregadas socioespacialmente, em comparação ao grupo de controle, ou seja, a região centro, apresentada como a melhor classificada em termos de segregação socioespacial.
Assim, essa pesquisa, que possui abordagem qualitativa e caráter descritivo, objetivou analisar de forma comparativa as condições de vida das famílias residentes nessas três regiões urbanas de planejamento em Viçosa-MG, descrevendo os efeitos desse fenômeno nas condições de vida dessas populações. Tal análise leva em consideração a infraestrutura, acessibilidade de transporte, condição do domicílio e percepção dos chefes de família quanto à sensação de violência, para dessa forma perceber as diferenças e semelhanças que os efeitos da segregação socioespacial representam no cotidiano das famílias dessas regiões. Percebe-se ao fim, que há características e percepções que são coincidentes nas diferentes realidades, como por exemplo, o estado civil. Entretanto, percebe-se também diferenças e singularidades em termos de perfil migratório, percepções e taxas de furtos, roubos, homicídios, tipo e qualidade de ruas e iluminação pública, raças e por fim, do tipo e composição familiar.




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* Bastos Filho
Grupo de Investigación en Gobierno, Administración Políticas Públicas - GIGAPP. Madrid, España