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Resumen de ponencia
Fazer pedagógico de(s)colonial

*Inés Fernández Mouján



Pedagogias de(s)coloniais? Escolher a denominação pedagogias de(s)coloniais implica assumir os diferentes caminhos de nossos escritos. Por si, se inscrevem na zaga das práticas teórico-críticas percebidas no legado dos pensadores anticoloniais, pós-coloniais e decoloniais e assumem uma posição crítica ao projeto Moderno, suspeitam de toda imposição colonial e se reconhecem a partir das margens como sujeitos da História. Existem implicações políticas na escolha do termo decolonial ou descolonial. Nos escritos, as autoras e autores usaram-nos livremente, cientes das respectivas cargas teóricas/históricas e respeitando a própria formação em seu emprego. Em ambos os contextos e usos, há um enfrentamento latente, uma crítica sobre os lugares, formas de produzir e validar conhecimentos, além das tentativas de tensionar esses cânones. Daí escolhermos o fazer pedagógico de(s)colonial como título condensador, que aproxima as duas categorias por seus objetivos: a desconfiança com o modelo ilustrado/positivista e colonial/neocolonial, na América Latina, Caribe e África. Convém traçar uma genealogia para compreender a complexidade que a denominação pedagogias de(s)coloniais comporta. A crítica aos silêncios da Modernidade alcança sua máxima expressão política-cultural nas décadas de 50 a 70 do século XX. Assumimos o referencial central dos escritos e ação de Frantz Fanon (que recupera o legado de seu professor, Aimé Cesaire e dos movimentos da negritude). Neste caminho podemos situar as críticas de Albert Memmi, Amílcar Cabral, Paulo Freire, Leopoldo Zea, Enrique Dussel, Augusto Zalazar Bondi, Darcy Ribeiro, Juan José Hernández Arregui, John William Cooke e os movimentos e organizações políticas e estéticas de meados do século XX. O que os movimentos intelectuais e políticos de meados do século XX (na pegada de Fanon) demonstram é que a questão colonial está no centro da discussão ao mesmo tempo que evidencia a existência de um conflito insolúvel, a exclusão do discurso daquele que o estrutura. A opressão é o impensável que permite pensar o pensamento que a exclui (Grüner, 2010). Seus olhares e interesses estão nos outros e com os outros. Os trabalhos teóricos se entrelaçam nas margens, em lugares obscuros ou fechados inclusive no silêncio para poder explorar as diferentes formas de variedade de discursos e práticas contra-hegemônicas que haviam também definido, de maneira ativa, as interações sociais de suas épocas. Suas vozes resistentes expressam, o mal estar reinante e enfatizam axiologicamente a visão dos vencidos a partir de variantes antropológicas, políticas e historiográficas; discursos e práticas que assumem a urgência política e a preocupação pela alteridade denunciando a razão colonial. Quer dizer, trata-se de um processo de racionalidade política de marcado sentido crítico à racionalidade instrumental, que se propõe uma reflexão de forte marca política e cultural, que põe em discussão e lança forte suspeita ao triunfo da falsa totalidade colonial do sistema-mundo (Fernández Mouján, 2014).
Os escritos que apresentamos tratam de estratégias acerca do direito de escolher caminhos comprometidos com outras lógicas de conhecer, ser, sentir e fazer, para tornar válidas outras possibilidades de existir e viver. Enfrentam as monoculturas do saber, alimentando os vínculos comunitários e respectivas identidades que a Modernidade busca homogeneizar e invisibilizar. Não possuem fórmula, mas um senso dialógico local como referência, devidamente assentado em éticas de convivências respeitosas entre os demais grupos culturais e suas relações com o mundo, que estimulem eventuais rearranjos horizontais (ou permanecer), não impostos, e colaborativos. À provocação de descrever os próprios desdobramentos práticos desse processo pedagógico de auto-conhecimento e compartilhamento, os autores dos artigos que compõe esse livro usaram suas melhores tintas, as mais profundas, que se mesclam com histórias obliteradas e, ainda assim, revivificadas em seus saberes e fazeres.





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* Fernández Mouján
Instituto de Investigaciones en Diversidad Cultural y Proceso de Cambio. Universidad Nacional de Río Negro - IIDyPCa/UNRN. Bariloche, Río Negro, Argentina