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Resumen de ponencia
As transformações sociais contemporâneas e o meio ambiente: um olhar crítico ao estilo de vida pós-moderno

*Bárbara Cristina Kruse



As Revoluções Industriais alteraram bruscamente o estilo de vida de grande parte da humanidade, eis que sufocaram as cidades medievais criando situações urbanas insuportáveis, a exemplo do tráfego intenso de multidões de miseráveis, ruas estreitas e sinuosas, grandes conjuntos habitacionais enegrecidos pela fuligem. As indústrias, por sua vez, instalaram-se aleatoriamente, com altíssimos níveis de poluição, degradando a natureza e explorando desumanamente o trabalho das pessoas (GONÇALVES JR, et al, 1990).
Além disso, as pessoas passaram a sair do campo em direção às novas chaminés que se instalavam nas velhas cidades europeias. Ao longo das décadas, as pessoas disputavam cada metro quadrado da cidade, convivendo em precárias condições de vida e aglomerando-se, como em um formigueiro, ao redor das fábricas. A cidade passou a ser receptáculo de vícios e de miséria, com ruas imundas, nas quais os esgotos corriam a céu aberto e montanhas de lixo dominavam a paisagem. Houve, portanto, avassaladora transformação na civilização no final do século XIX e início do século XX (GONÇALVES JR, et al, 1990).
É nesta nova ordem mundial que se consolida o sistema capitalista. A busca de lucros e a acumulação de capital passam a serem componentes essenciais do sistema capitalista. A essência deste sistema se dá na existência de uma classe de proprietários que detém a propriedade do estoque de capital (HUNT & SHERMAN, 2004), em especial consideração, os meios de produção, em detrimento de outros que, por estarem despossuídos de tais meios, estão sujeitos àqueles (MARX & ENGELS, 2008). A lógica do sistema compreende a ampliação do volume produzido, elevação dos lucros e redução dos preços.
Estas modificações no estilo de vida da sociedade desta época formataram a preparação para o "novo espírito" da Idade Moderna. Ao ser humano estavam abertos os portais de um mundo novo e controlável. Nesta civilização industrial ou civilização moderna, prevaleceu à subjugação da natureza pelo ser humano que a transformou em seu exclusivo benefício. Ocorre que, desde essas transformações sociais o meio ambiente vem sendo incomensuravelmente prejudicado.
A natureza, neste frenético padecer, foi vista como algo disponível e imprescindível para o capitalismo industrial. Nem de longe se discutia a possibilidade dos recursos serem limitados, finitos. No entanto, ao contrário do imaginado, a Revolução Industrial na forma em que foi historicamente articulada, trouxe malefícios indeléveis para o tempo presente, eis que os danos e catástrofes contra o planeta registraram inúmeras florestas devastadas e extinção de seres vivos em grande escala. Discorre (SEIFFERT 2008, p. 19) que “Os indicadores ambientais, sob o impacto da aceleração da intervenção humana sobre o ambiente, têm permitido perceber que existe um limite para sua expansão e a capacidade de suporte dos recursos ambientais”.
Nesta linha, segue Felix Guattari (2001):

O planeta Terra vive um período de intensas transformações técnico científicas, em contrapartida das quais engendram-se fenômenos de desequilíbrios ecológicos que, se não forem remediados, no limite, ameaçam a vida em sua superfície. Paralelamente a tais perturbações, os modos de vida humanos individuais e coletivos evoluem no sentido de uma progressiva deterioração. As redes de parentesco tendem a se reduzir ao mínimo, a vida doméstica vem sendo gangrenada pelo consumo da mídia, a vida conjugai e familiar se encontra frequentemente "ossificada" por uma espécie de padronização dos comportamentos [...] (GUATTARI, 2001, p.7).

A incorporação da ideologia consumista no tempo presente, incorporando novos desejos e necessidades no ser humano, exarcebando apetites imaginários e criando fantasias, faz com que o meio ambiente seja cada vez mais prejudicado. Este desejo incontrolável de consumo, os capitalistas conseguem impor todo tipo de condições ao trabalhador, pois é somente trabalhando que se é capaz consumir as suas novas necessidades (HARVEY, 2007).
Uma das ferramentas mais poderosas de todo este sistema é a propaganda indutora do consumo pela mídia de comunicação de massa (mass media). Pela propaganda, em especial as apresentadas na televisão, os produtos são sempre apresentados como produtos acabados, gerados espontaneamente, sem contradições ou problemas e esforços produtivos. Daí o fluxo perpétuo de desejos se eterniza. Gostos e necessidades se tornam foco permanente da necessidade de consumir, sendo irrelevante o grau efetivo que esta necessidade tenha. Com isso, os produtos são criados de forma a reforçar o consumo, a qual surge automaticamente no curso de troca do mercado (HORKHEIMER & ADORNO, 1985; BAUMAN, 2010).
Em vista dessas transformações sociais e da degradação ambiental engendrada pelo estilo de vida pós-moderno, é que se vislumbra uma crise ambiental contemporânea, bem como vários indícios de mudanças climáticas. Acredita-se que o planeta caminha para um aquecimento global. Este se caracteriza pelo fenômeno climático discutido por cientistas de todo o mundo. Entretanto, ainda não existem provas concretas da causa deste aumento gradual na temperatura. Com isso, cientistas afirmam que a temperatura média superficial global está aumentando nos últimos 150 anos (TERRA AZUL, 2018).

Os cientistas céticos ao aquecimento global argumentam que o próprio Planeta, ao longo do tempo, se recompõe. Isto quer dizer que o meio ambiente se recupera sozinho das catástrofes e problemas ambientais. Este argumento é verdadeiro, entretanto, o que se coloca à priori aqui é a existência humana na Terra. E, para que o planeta se recomponha é preciso milhares de anos, ou seja, muito mais tempo que a escala de tempo da vida humana em geral.
Compartilha-se da ideia de que o aquecimento global é uma realidade vivenciada atualmente. Dito isso, o fato de que o homem tem poder de modificar o ambiente é mais do que visível. Não somente pela degradação ambiental em si, mas como também pela criação de armas nucleares. As catástrofes que já ocorreram ilustram bem o poder humano perante o ambiente. E, este poder é tão grande que pode levar até mesmo a extinção em massa da civilização. Por isso, o que está se discutindo aqui é a perpetuação da espécie homo sapiens. Haja vista que, a posição maciça da maioria de cientistas é de que as ações antrópicas impulsionadas pela Revolução Industrial estão levando o Planeta a uma crise ambiental.


Referências

ADORNO, Theodor e HORKHEIMER, Max. A Dialética do Esclarecimento. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1985.
BAUMAN, Zygmunt. Vida líquida. Tradução de Carlos Alberto Medeiros. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2009. 210 p.
GUATARRI, Félix. As três ecologias. 11ª ed. São Paulo: Papirus, 2001.
GONÇALVES JUNIOR, Antonio José et al. O que é urbanismo. São Paulo: Brasiliense, 1990. 68 p.
HARVEY, David. Condição pós-moderna. 16. ed. São Paulo: Loyola, 2007.
HUNT & SHERMAN. História do Pensamento Econômico. Ed Vozes. Petrópolis RJ. 2004.
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista: Texto Integral. 2. ed. São Paulo: Martin Claret, 2008.
SEIFFERT, Nelson Frederico. Política Ambiental Local. Santa Catarina: Insular, 2008. 320 p.
SCHIMIDT, Mario. Nova História Crítica. São Paulo: Nova Geração, 2001.
TERRA. Quais os maiores desastres ambientais causados pelo homem? Disponível em: . Acesso em 15 mar. 2018.




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* Kruse
Universidade Estadual de Ponta Grossa - UEPG. Ponta Grossa, Brasil