A família brasileira passou, ao longo dos séculos, por transformações em seu interior desde a colonização portuguesa, a partir de influências europeias que foram se efetivando através do tempo. Atualmente, com o avanço e evolução da técnica e da ciência, essencialmente a partir da descoberta do DNA, entre outros fatores, a partir dos movimentos e lutas sociais, por exemplo, em favor das mulheres, ganhando força fazendo com que haja uma perspectiva – ainda mais forte – na modificação da família brasileira e, consequentemente, nos estados brasileiros. O Estado da Paraíba, imerso nesse teor de evolução histórica perpassa, ao longo dos séculos, pelas transformações sociais, políticas, culturais e econômicas adquirindo suas singularidades, assim como as influências territoriais que o circunda. Desta feita, a presente pesquisa tem por objetivo geral identificar, a partir da atuação de assistentes sociais do estado paraibano, os elementos históricos que constituem as diferentes configurações familiares na sociedade paraibana, seguindo com os objetivos específicos, refletindo sobre o avanço do sistema capitalista como determinante histórico de modificação nas configurações familiares, além de analisar como as políticas públicas que compõem a seguridade social brasileira garantem direitos a estas diferentes configurações familiares e, por último, identificar o entendimento dos profissionais da Política Nacional de Assistência Social que atuam diretamente com as famílias paraibanas e como garantem o direito destas independente da configuração familiar que vivenciam. Ela se configura como um estudo analítico-crítico, com caráter quanti-qualitativo, enquanto procedimento metodológico de análise do objeto. O uso de um referencial teórico-metodológico centrado na compreensão de Família, Estado, Política Social e Capitalismo, além das variantes conceituais contidas no termo Família foi constituído a partir das concepções de autores como Behring (2008), Carvalho (2008), Dias (2008), Engels (s/d), Esping-Andersen (1990), Freyre (2013), Lessa (2012), Mioto (2004, 2015), Mello (2007), entre outros, que mostraram-se imprescindíveis nessa investigação. Além dessa primeira aproximação, a pesquisa é resultante da investigação das concepções e atuação de profissionais que trabalham na Política Nacional de Assistência Social – PNAS, os quais, mediante pesquisa em campo, ocorrida na cidade de João Pessoa – PB, em setembro de 2015, forneceram dados relevantes para o debate. A pesquisa em campo foi dividida em três partes no intuito de reforçar os apontamentos levantados a partir de contextos distintos: a primeira constituiu-se de aplicação de questionários para Assistentes Sociais em ocasião de curso de capacitação; a segunda se deu a partir da formação de um grupo focal também com Assistentes Sociais; e, a terceira, mediante oficinas em sala de aula com as demais categorias profissionais que trabalham na PNAS. Desta forma, tivemos um número aproximado de 130 profissionais que contribuíram diretamente com a pesquisa, o que resultou em diversas concepções acerca da família e seus encaminhamentos para a efetivação dos direitos sociais cabíveis no âmbito da Assistência Social. Os (as) Assistentes Sociais, dessa maneira, trabalham mediante o que é direcionado no Código de Ética, no intuito de garantir os direitos das famílias que necessitam da Assistência Social, independente do modo em que as mesmas sejam constituídas. Porém, o reflexos sociais, políticos e culturais diversas vezes acabam por tomar proporções imensas não apenas no âmbito da sociedade, mas transborda também no centro da categoria profissional. A ética, pois, vem a ser debatida num ambiente que visa garantir o que é de direito e superar os próprios limites da subjetividade, do que é profissional. Assim, portanto, a pesquisa se estende adiante, podendo levantar questionamentos não apenas acerca da efetividade da política de assistência social, mas buscar reconhecer e garantir para um futuro próximo, uma linha de direitos baseada numa concepção de família que vá além do que foi posto como certa ou errada, ou melhor, como aceitável ou não, garantindo a pluralidade.