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Resumen de ponencia
Experiências do Grupo de Trabalho Jovens Mulheres da Secretaria Nacional da Juventude do Brasil (2011-2013)

*Cynthia Mara Miranda



A juventude é mais do que uma idade: é, sobretudo, um processo próprio de um determinado período do ciclo da vida em que os indivíduos estruturam o seu percurso para a entrada na vida adulta. Essa transição ocorre em meio a uma convergência de eventos complexos (seja a formação educacional, a qualificação profissional, a constituição de família e também a participação social e política) e imbricados uns nos outros de tal modo que o grau de inclusão social passa ser afetado pelo resultado dessa relação.
Para Margulis e Urresti (1996: 15), a juventude, como toda categoria socialmente constituída que alude a fenômenos existentes, possui uma dimensão simbólica, mas também precisa ser analisada em outras dimensões que considerem os aspectos materiais, históricos e políticos nos quais toda produção social se desenvolve na vida de um indivíduo.
Apesar da complexidade que o termo juventude acarreta na busca de uma definição conceitual, de modo geral, as políticas públicas e as legislações tendem a associar juventude à faixa etária. Para o Estado brasileiro, a juventude compreende os indivíduos de 15 a 29 anos de idade; já para os organismos internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU), compreende o período dos 15 aos 24 anos.
A vivência da juventude para as mulheres é construída de forma distinta da juventude para os homens. Desde a infância, através dos processos de socialização que se dão em diferentes espaços, como na família, na escola, na vizinhança, nos grupos de amigos e pela exposição aos meios de comunicação, a desigualdade entre os gêneros vai sendo delineada. O ponto de partida é a família, o espaço privado das relações de intimidade e onde são estabelecidas as regras para lidar com a diferença e a diversidade.
As mulheres têm sido educadas ao longo dos tempos para exercerem atividades de cuidados relacionados à esfera privada, e os homens para exercerem atividades laborais e políticas na esfera pública. Por mais que existam iniciativas para romper essa situação em diferentes frentes, como as políticas públicas e as legislações, a desigualdade ainda permanece. As jovens mulheres experimentam situações dessa desigualdade uma vez que tendem a ficar adultas mais cedo em decorrência da divisão desigual das responsabilidades. As jovens mulheres das classes menos favorecidas, principalmente, costumam ter mais responsabilidades do que os homens jovens. Desde cedo a elas tem sido atribuído o cuidado com a casa e com os irmãos mais novos, reduzindo cada vez mais o seu tempo para o lazer. Além disso, a gravidez na adolescência também provoca uma transição mais rápida para a vida adulta.
Essa construção dos papéis de gênero, iniciada na infância, perdura na juventude e segue sendo reforçada na vida adulta com poucas alterações. Para Prá, Epping e Cheron (2011), abordagens feministas identificam que o processo de atribuição de padrões de comportamento social ocorrido entre infância e adolescência influenciam na formação da identidade das pessoas. As diferenças aí constituídas passam, então, a orientar projetos e estilos de vida: daí o trabalho produtivo representar para os jovens a possibilidade de ingresso na vida adulta; em sentido inverso, esse ingresso se dá para as jovens.
Compreendendo as limitações geradas por essas relações de poder que têm resultado em vulnerabilidade, as jovens passam a se organizar para apresentar demandas para o Estado, especialmente atuando nos movimentos feministas. Por essa perspectiva, o presente artigo está organizado a partir da contextualização da institucionalização das pautas das jovens mulheres no governo federal brasileiro no período de 2011 a 2013. A partir do envolvimento da autora do artigo no Grupo de Trabalho Jovens Mulheres (GTJM), criado pela Secretaria Nacional da Juventude (SNJ) vinculada a Presidência da República em 2011, foram coletadas informações e vivenciadas experiências que permitiram apresentar reflexões a partir do ponto de vista de quem esteve presente em todas as atividades do grupo de trabalho enquanto membro participante e apresentou sugestões/propostas/ para encaminhamento do mesmo.
O artigo desdobra-se, dessa maneira, enfocando os percursos de incidência das jovens para a construção das suas demandas específicas na SNJ por meio da criação do GTJM no governo de Dilma Roussef do Partido dos Trabalhadores (PT). Por fim, apresentamos algumas considerações sobre os desafios impostos para consolidação da agenda das jovens mulheres pela Secretaria Nacional de Juventude e para transversalização da temática no aparato estatal e para fora dele.




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* Miranda
Universidade Federal do Tocantins UFT. Palmas, Brasil