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Resumen de ponencia
Feminismo, internet e política

*Rayza Sarmento



Esta proposta de trabalho, desenvolvida no âmbito do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Viçosa (Minas Gerais, Brasil) busca investigar as formas de apropriação da internet pelos movimentos feministas brasileiros, em um primeiro momento, a partir de uma análise bibliométrica.
Se a necessidade de visibilidade nos meios de comunicação tradicionais têm sido, desde a década de 1970, objeto da luta feminista e dos estudos preocupados com a tríade gênero-mídia-política (NORRIS, 1997; MIGUEL, BIROLI, 2011; SREBERNY, VAN ZOONEN, 2000; SARMENTO, 2017), a internet se apresenta como uma arena na qual o fenômeno político-comunicacional feminista atual parece encontrar espaço. O feminismo na internet, como produto desta nova moldura, a nosso ver, diz de uma atuação política em um espaço comunicativo marcado pela ausência de mediações diretas, pela possibilidade de falar per se e de construir plataformas que dialoguem com interesses do movimento sem depender das mídias massivas. A internet proporcionaria ao feminismo diversas oportunidades de fortalecimento da luta, de mobilização para além das fronteiras e de vocalização de pautas que pouco encontram espaço nos regimes de visibilidade da mídia convencional.
As relações entre internet e política têm, gradativamente, mobilizado os estudiosos das Ciências Sociais, em especial da Ciência Política, nos planos nacional e internacional (BRAGA, 2009; CASTELLS, 2000; CHADWICK, HOWARD, 2009; COLEMAN, BLUMER, 2009), a partir de diferentes concepções de democracia, conforme apontam Gomes (2005) e Dahlberg (2011). Há uma crescente literatura sobre os potenciais da internet para o arrefecimento da apatia política e a possibilidade de maior participação e engajamento dos cidadãos (LEVY, 1999). Ainda que olhando para diferentes objetos, dois caminhos de pesquisa principais têm sido delineados por essa literatura: o estudo sobre a participação eletrônica nos canais oferecidos pelo sistema político formal e o ativismo político na internet (GOMES, 2005).
De acordo com Mendonça e Pereira (2011, p. 2), “a percepção de que a internet permite a instauração de múltiplas interações diferidas no tempo e distendidas no espaço levou muitos pesquisadores a indagar sobre seu potencial para a renovação da esfera pública”. Embora as pesquisas em internet e política já caminhem a passos largos no país, como atestam estudos recentes de Wilson Gomes (2016) e Rafael Sampaio et.al (2016), pouco se sabe sobre o impacto em movimentos específicos, em especial aqueles com lastro histórico no país, como o feminista (PINTO, 2003). Entender a forma com a internet impacta e estrutura novas formas de ativismo político focado no enfrentamento das desigualdades de gênero adiciona à pesquisa nacional, novos dados acerca das transformações possibilitadas pela dimensão online. Estamos preocupadas com as apropriações que sujeitos feministas fazem da arena online para atingir seus públicos e objetivos, publicizar suas reivindicações e também marcar seus espaços.
Conforme estamos apontando em trabalhos sistemáticos, a internet tem se colocado hoje como uma plataforma fundamental para entender como a) o movimento feminista publiciza reivindicações e b) como pessoas, em especial mulheres jovens, "descobrem" e "encontram" o feminismo a partir da arena online. Nesse sentido, esta proposta de pesquisa busca identificar a emergência e configurações do feminismo ambiente digital, colaborando centralmente para uma discussão ainda marginal nos estudos de gênero no âmbito da Ciência Política. Os achados podem revelar os padrões de ação e recursos discursivos e a construção de trajetórias políticas a partir da análise das redes sociais.
Serão analisados, inicialmente, trabalhos publicados em periódicos de relevância nacional das áreas das Ciências Sociais e da Comunicação, a fim de identificar quais estudos, casos, reivindicações, estratégias estão identificadas na literatura atual sobre a utilização das ferramentas online para o ativismo feminista, entre os anos de 2000 a 2017.




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* Sarmento
UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA UFV. Viçosa, Minas Gerais, Brasil