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Resumen de ponencia
MULHERES, SUJEITOS POLÍTICOS NAS CIDADES: O despertar dentro de si mesma.

*Ana Fabíola Do Nascimento Pontes



O presente resumo é fruto de um trabalho de conclusão de curso em Serviço Social, vinculado a Universidade Federal de Pernambuco. A partir do estudo e das análises desenvolvidas através do Estágio Curricular Obrigatório I e II no Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social, foi possível a realização da coleta de dados e da observação de campo, possibilitando uma investigação que se dedicou a compreender qual a importância da formação política para grupos de mulheres e de seu reconhecimento como atrizes sociais em espaços de luta para a cidadania. Com o objetivo de entender como as mulheres estabelecem suas relações sociais nas cidades e nos espaços que esta proporciona, através da compreensão de como a cidade é vivenciada pelas mulheres. As organizações de mulheres e formação de grupos que têm como objetivo a luta contra a desigualdade de gênero são anteriores aos anos de 1950. A efervescência destes movimentos se deu em torno do ano de 1975, considerado o ano da mulher e em seguida com a proclamação da década da mulher pela ONU – Organização das Nações Unidas. Devido à visibilidade que os movimentos de mulheres conquistaram a partir do declarado Ano Internacional da Mulher esses grupos de luta passam a se assumir publicamente. Após a experiência desse período pode-se identificar com mais clareza a participação das mulheres em espaços políticos, o fortalecimento dos movimentos de mulheres e também dos grupos feministas. Para aprofundar a compreensão dessa realidade, as dimensões que estabelecem o direito à cidade e seu aceso incorporam alguns pontos de grande importância que fazem com que a cidade possa ser de todos e para todos. São eles: o direito de ser relacionar e construir relações sociais; de sentir parte da cidade; de viver dignamente; de convivência e o direito a igualdade de direitos. Nesse sentido, Rolnik (2002) reforça a ideia de que o uso e a ocupação dos espaços urbanos não se dão da mesma forma para homens e mulheres, sendo as cidades palco da exclusão e desigualdades. O direito à cidade pode ser considerado uma proposta presente nas lutas por direitos iguais desde meados do século XX, onde se faz presente os impactos negativos da economia capitalista com a mercantilização da cidade. A cidade, dessa maneira, deixa de ser das e para as pessoas e entra na ótica do lucro, da mais valia, com valor de mercadoria cada vez mais escassa e cara. Dessa maneira o direto à cidade significa restaurar o sentido de cidade, de possibilitar o bem viver para todos que fazem parte dela. O movimento de mulheres, assim como, os movimentos urbanos são organizações que lutam por uma sociedade igualitária, sem distinção entre as pessoas e por garantia dos direitos de cidadãs e cidadãos. Bem como a luta pela cidade obteve grandes conquistas, o movimento de mulheres também, apesar de ambas as vitórias serem graduais e lentas. Pensar as mulheres nas cidades pode, a princípio, parecer sem lógica, já que as mesmas vão e vêm todos os dias. Acordam cedo, deixam seus filhos nas escolas, vão trabalhar, pegam seus filhos nas escolas e voltam para casa. Estão presentes em shoppings, praças, lojas, ruas, calçadas, mas será que a cidade é vivida de modo igual – nas suas diferenças – por homens e mulheres? Apesar das mulheres estarem nas cidades e em todos os lugares a sua participação de dá de maneira discriminada e fragmentada. Diante de uma sociedade que recrimina e retrai as mulheres nos espaços públicos, sua saída e seu lugar para muitas delas é a casa, espaço privado de controle patriarcal. Diante desse contexto de discriminação e reclusão das mulheres no que se dizem espaços públicos de ocupação masculina nascem questionamentos em torno do papel da mulher e seus significados na sociedade como cidadãs. O presente trabalho se dedicou a compreender qual a importância da formação política para grupos de mulheres e de seu reconhecimento como atrizes sociais em espaços de luta para a cidadania. Na busca pela compreensão desses espaços como sendo possíveis para participação das mulheres buscou-se fazer um estudo sobre os movimentos e grupos de mulheres a partir dos anos de 1970. Foi realizado um levantamento bibliográfico sobre o direito à cidade, movimentos urbanos, movimentos de mulheres e análise de documentos sobre a instituição em que o estágio foi desenvolvido. Optou-se pela realização de um questionário avaliativo sobre o processo de formação realizado com o Grupo de Mulheres pelo Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social. No total foi realizado o preenchimento de 25 questionários, sendo o total do grupo de 30 mulheres. Houve, também, o estudo sobre os movimentos urbanos e sua influência, e de que maneira foram influenciados, os grupos e movimentos feministas. Pode-se afirmar que a construção do empoderamento das mulheres através da formação política e do Grupo de Mulheres é o meio mais eficaz para a percepção das mesmas enquanto sujeitos de direito e cidadãs. Dessa maneira, se entende que historicamente o movimento de mulheres e o movimento urbano dispõem de um mesmo cenário de desenvolvimento de sua atuação. Através de lutas pela melhoria das condições de vida, essas duas atuações de lutas populares possuem demandas semelhantes que muitas vezes se imbricam como o direito de morar, de equipamentos públicos de qualidade e acessíveis a população.




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* Do Nascimento Pontes
Universidade de Pernambuco UPE. Recife, Brasil