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Resumen de ponencia
Novas Perspectivas das Relações Internacionais: Principais Contribuições do Feminismo para a Agenda Contemporânea de Segurança Internacional

*Caroline Mariano De Almeida



O início das relações internacionais destaca-se desde as comunidades tribais como uma realidade concreta. Entretanto, enquanto disciplina acadêmica, o marco inicial das Relações Internacionais foi no fim da Primeira Guerra Mundial, em 1919, com o surgimento da Cátedra Woodrow Wilson de Política Internacional, na Universidade de Gales na Inglaterra.
Os estudos de Relações Internacionais, desde seus primórdios, se caracterizaram por sua forma mais restrita de analisar as questões mundiais, ou seja, com uma visão mais macro, onde o Estado era colocado como centro de todas as ações e motivações. As principais teorias da área baseiam-se na postura dos Estados diante de diferentes situações, como será explanado no decorrer do trabalho, e chegam a conclusões distintas sobre tais. A teoria Realista, por exemplo, coloca o Estado como detentor do poder e afirma que suas ações são motivadas pela busca de segurança constante. Já a teoria Liberal, sustenta a ideia de que os Estados cooperam entre si, visando a paz mundial.
Pode-se notar que duas das principais teorias partem do Estado como ator central. Nogueira e Messari (2005) mostram que tal meio de estudo não excluía explicitamente os demais atores, como organizações, grupos terroristas, empresas do setor privado e também os civis, ele apenas os colocava em segundo plano, não como atores centrais. Mas com o passar dos anos e com a globalização, principalmente, foi-se notando o vácuo que havia sido deixado nas teorias clássicas em relação a determinados assuntos, como a ausência da abordagem de temas antropológicos, o estudo de diferentes culturas, o papel dos civis de maneira abrangente nas Relações Internacionais e de maneira específica, ou seja, o papel do homem e também da mulher.
Um dos objetos de estudo das Relações Internacionais é a Segurança Internacional, uma área cuja qual sempre possuiu uma visão tradicional dos conceitos de conflitos internacionais, paz e segurança. Muitos autores da área, como Gunther Rudzit (2005), posicionaram o Estado como o principal detentor do poder e único ator responsável pelas guerras. Com a modificação dos estudos de Relações Internacionais, devido a novas perspectivas que foram sendo colocadas de acordo com a época, não de maneira repentina, mas com o decorrer histórico, a Segurança Internacional passou a ter uma visão menos rígida. Os teóricos e estudiosos dessa nova fase, mais especificamente pós Guerra Fria, começam a fugir um pouco da esfera militar que predominava na área. Tal característica do caráter militar pode ser justificada, principalmente, pelos interesses estatais predominantes dentro dessa corrente nas Relações Internacionais, com suas intenções voltadas a questões de guerra, decorrentes do período histórico em que viviam.
O tema deste trabalho também é o seu problema de partida, ou seja, a pergunta que será respondida em seu decorrer parte das principais contribuições da Teoria Feminista para a agenda contemporânea de Segurança Internacional. A fim de frisar como o Feminismo não é uma corrente homogênea, ou seja, que possui inúmeras vertentes que variam entre si, nesta pesquisa optou-se por duas correntes, quais sejam: a liberal e a socialista. As duas linhas feministas foram selecionadas pelo fato de fazerem parte dos processos prioritariamente políticos do movimento, que enfatizam questões de segurança, tornando-se assim, importantes peças no tema deste trabalho.
O conceito de segurança, após as contribuições propostas pelo Feminismo, se altera dentro das novas demandas, no qual deixa de ser algo tão racionalizado e restrito como era tratado anteriormente e passa a ser muito mais amplo e subjetivo, por incorporar novos temas e incluir os demais atores internacionais. A segurança Internacional será vista a partir de meados da década de 80 com novos olhares, que não mais aceitaram algumas premissas tradicionais, onde grupos sociais ainda viam-se excluídos, enquanto o Estado era superestimado.
A abordagem feminista é de extrema importância no desenvolvimento do tema escolhido, já que é por meio desta que a mulher passa a ser inserida nos estudos de Segurança Internacional, mas principalmente, por ser o momento em que insere-se a subjetividade no debate de segurança. O surgimento de grandes conflitos e de outras formas de ameaça, terrorismo, por exemplo, na década de 80 é um dos fatores que possibilita a introdução das mulheres neste período (COSTA, 2009). Desde seu início nesta área, ainda segundo Costa (2009), a Teoria Feminista teve como principal objetivo a ruptura do caráter estadocêntrico das demais teorias e o militarismo em suas bases mais tradicionais.
A importância deste trabalho se reflete na necessidade criada em abordar as demais teorias que desconstroem os padrões antigos de Relações Internacionais e também na ampliação do debate, onde incorporam-se novos olhares, atores e novas possibilidades na agenda da área. O Feminismo, cujo qual é a teoria base do desenvolvimento da pesquisa, busca, dentro do âmbito da Segurança Internacional, analisar desde as minorias até os maiores atores. A desmistificação do conceito de segurança, através de análises com maior abrangência que busquem “compreender como a segurança dos indivíduos e dos grupos é comprometida pela violência, tanto física quanto estrutural, em todos os níveis” (BUZAN & HANSEN, 2012, p. 316).
O objetivo geral desta pesquisa é analisar a progressão da inserção de novos temas que tratassem do indivíduo nos estudos de segurança internacional onde a abordagem do Estado fosse relativizada. Visualizar as modificações geradas tanto no âmbito de Segurança Internacional, como no de Relações Internacionais como um todo. Ao fim deste trabalho, será possível entender as premissas do Feminismo para com os estudos de Segurança Internacional; os principais resultados obtidos a partir da construção dos novos estudos da área, visando a maior participação da mulher no campo; entender de que forma se está desconstruindo o modelo estadocêntrico dos estudos de Relações Internacionais por meio das teorias Feministas; ponderar os principais desafios obtidos para tais transformações; e por fim, visualizar a nova concepção da Segurança Internacional diante de um parâmetro atual desse estudo.
A metodologia adotada neste trabalho é uma pesquisa teórica e bibliográfica, pois objetiva caracterizar o problema central, por meio de revisão literária. Tratando-se de sua abordagem, é uma pesquisa qualitativa, que busca apresentar dados que não se preocupam especificamente com números ou afirmações exatas, mas sim com seu conteúdo e pela forma como será absorvida pelo leitor.
Alguns dos autores citados no decorrer do trabalho são Buzan, Weaver, Juliana Costa, Jan Marie Fritz, Nadine Puechgirbal, J. Ann Tickner. Escolhidos por tratarem o assunto de maneira mais compreensível e de fácil acesso, visto que o intuito do trabalho é permitir o conhecimento do assunto por diferentes leitores.




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* Mariano De Almeida
UNIVERSIDADE FEDERAL DA INTEGRAÇÃO LATINO-AMERICANA UNILA. Foz do Iguaçu, Brasil