O referido artigo faz parte do projeto de pesquisa submetido ao edital do (PROPEGI/CPQ) PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO PESQUISA E INOVAÇÃO COORDENAÇÃO GERAL DE PESQUISA PROGRAMA INSTITUCIONAL DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UPE, o qual será realizado ao decorrer do ano de 2018. Objetivará analisar os impactos das transformações no mundo do trabalho sobre a atuação dos assistentes sociais nos diversos campos sócios ocupacionais: assistência, saúde, sócio jurídico, previdência social, do município de Palmares-Pernambuco, inseridos no mercado de trabalho no período entre 2016 a 2018. Nesta direção, buscar-se-á recuperar o debate histórico que situa a crise mundial do capitalismo, na década de 70, quando a questão social apresentou novas estruturas e manifestações, devido a sua relação direta com as transformações no mundo do trabalho. As alterações na dinâmica capitalista não só atingem eminentemente o mundo do trabalho, seus processos e sujeitos, como também ocasionam redefinições pertinentes no papel do Estado e nas políticas sociais, exigindo novos perfis de trabalhadores, novas requisições e demandas ao mundo do trabalho (MELIM, 2016, p. 3). Enfatizando a relação entre o advento do capitalismo e a reestruturação produtiva. Utilizar-se-à como fonte bibliográfica a obra de Alves (2011), assim como as reflexões educacionais produzidas por seus interlocutores, a exemplo de Antunes (2015), Marx (2013), Iamamoto (2008). O referido debate considera o processo de trabalho como a categoria fundamental para o entendimento dos processos sociais. Entretanto, sua função social deve ser questionada: se por um lado, o trabalho em sua dimensão social e econômica possibilita a satisfação das necessidades coletivas, quanto à promoção das potencialidades humanas, por outro, sob o respaldo do modo de produção capitalista, assume molde cada vez mais severo e perverso. Portanto, diante da atual configuração do modo de produção capitalista e de suas consequências para a vida dos seres sociais, Guerra (2013) afirma que “a atual crise do capital, seus antigos e reatualizados modelos de produção/reprodução e de acumulação incidem na construção das subjetividades, constituindo um sujeito que adere, acriticamente, ao fetiche oriundo do processo de financeirização do capital, não apenas respondendo, mas incorporando sua racionalidade como modo de ser, pensar e agir (p.236)”. Dessa forma, as transformações sociais direcionadas para atender as necessidades do capital causam impactos nas formas de reprodução social e, para o trabalhador, mudanças em seu perfil profissional. Este com capacidade técnica de dar respostas rápidas às necessidades do mercado e envolvido na lógica da colaboração, competência, competição, com reforço do individualismo. Logo, essas configurações incidem em mudanças cada vez mais coercitivas sobre o mundo do trabalho permeado por diferentes formas de exploração e precarização. Neste sentido, a precarização do trabalho pode ser entendida como o desmonte de formas reguladas de exploração da força de trabalho como mercadoria. A vigência do novo capitalismo flexível, com o surgimento de novas modalidades de contratação salarial, desregulação da jornada de trabalho e instauração de novos modos da remuneração flexível, seriam consideradas formas de precarização da força de trabalho (ALVES, 2011, p. 1). Assim, é valido ressaltar que esse novo perfil leva a todas as esferas da vida social um caráter cada vez mais nefasto que nos revela uma verdadeira banalização da vida humana, a subordinação da sociabilidade humana às coisas, à descartabilidade e indiferença perante o outro, a radicalidade da alienação e invisibilidade do trabalho social e dos trabalhadores (IAMAMOTO, 2008, p. 108). É nesse contexto que a precarização do trabalhador se expressa por meio de suas diferentes dimensões: desregulamentação do trabalho, mudanças na legislação trabalhista, subcontratação, diferentes formas de contrato e vínculos que se tornam cada vez mais precários e instáveis, terceirização, emprego temporário, informalidade, jornadas de trabalho e salários flexíveis, multifuncionalidade ou polivalência, desespecialização, precariedade dos espaços laborais e dos salários, frágil organização profissional, organização em cooperativas de trabalho e outras formas de assalariamento disfarçado, entre outras. (GUERRA, 2010, p. 719). Sendo assim, as formas precárias de inserção do trabalhador têm transformado o ambiente de trabalho em espaço de adoecimento. Analisando a “jornada de humilhações” de trabalhadores, Antunes (2015) afirma que “a relação emoção, trabalho e doença continua sendo vista na linearidade cartesiana das causalidades e somatizações”. Diante disso, Raichelis e Vicente (2014) afirmam que não são diferentes com os profissionais de serviço social, os assistentes sociais também estão sofrendo as consequências da precarização do trabalho, de forma dolorosa, intensa e solitária. Nesse contexto, faz-se necessário refletir criticamente acerca das transformações no mundo do trabalho e como ela se expressa nos diferentes contextos sócio-historicos. Assim, o presente artigo tem como intuito observar a influência do processo de precarização no trabalho do assistente social no contexto das dinâmicas das relações sociais. Pois, essas precarizações incidem sobre a vida e a saúde dos assistentes sociais, na esfera da reprodução social da vida da classe trabalhadora. Conclui-se, portanto que, o desgaste do trabalhador e também os retrocessos nos direitos sociais e trabalhistas que intensifica as relações entre trabalho e precarização e, consequentemente, o adoecimento vem das condições objetivas estimuladas pela pelas instituições públicas e privadas que envolvem o profissional, valendo-se da subordinação, exploração e intensificação no mundo do trabalho, e estas devem ser passíveis de crítica.