As teorias e práticas pós-coloniais têm sido importantes ferramentas para questionar o discurso colonial e trazer à tona discussões sobre suas interferências em questões morais e raciais. Neste estudo, que tem como principal objetivo demonstrar como os sentidos colonizadores interferem na Política da América-Latina e auxiliam na preservação de desníveis sociais, procurou-se, também, refletir sobre a representação de identidades, com especial atenção para os processos de construção de subalternidades. Para atingir esse objetivo, partiu-se da crença de que o cenário contemporâneo da política na América Latina não deve ser observado apenas sob a luz da história recente da região, pois, formada por países colonizados e com vieses culturais descendentes de forte imperialismo, a América Latina, ao longo de sua história, se mostra com políticas enfraquecidas e com um quadro político e social que se desenha exibindo de um lado, o modelo neoliberal de acumulação capitalista e, de outro, fortes resistências populares à implantação dessas políticas. Dois polos divergentes que apresentam crises políticas e exibem fortes características deixadas pela burguesia europeia colonizadora e fortemente resgatada nas práticas políticas atuais. Ademais, a América-Latina, devido a sua colonização europeia, traz em suas raízes sentidos colonizadores, que admitem vieses culturais que não possibilitam valorizar seu próprio povo e saberes. Com esses sentidos, o colonizado – colonizador forma grandes correntes hegemônicas de poder que dominam e exploram toda a sua população. Tais correntes elegem políticos entre si e através de negociatas e jogos do poder governam para si próprios, forjando identidades num quadro de dominação colonialista e imperialista e, assim, provocam crises e preservam alarmantes desníveis sociais. A política, neste estudo, é considerada não apenas em sua dimensão institucional, mas em um sentido amplo, como assinalado por René Rémond, enquanto esfera que se comunica com diversos âmbitos da realidade, da cultura à sociedade, da economia às relações internacionais. Durante o estudo, utilizou-se uma posição epistemológica interdisciplinar, através de abordagem qualitativa. Prevaleceu o levantamento bibliográfico para compor esta pesquisa relevante a sua temática. Buscou-se pela compreensão dos sentidos que conduzem a diferentes percepções, visões de mundo e construções de pontos de vista, em Frege (1978) e a sua concepção de unidade de sentido, com base no clássico ensaio Sobre o Sentido e a Referência. Para a discussão, procurou-se pelas críticas decoloniais de Anibal Quijano, Edgard Lander, Oscar Guardiola-Rivera, Immanuel Wallerstein, Arthuro Escobar, Gayatri Spivak, María Lugones, Peter Fitzpatrick, Frantz Fanon, entre outros. Ademais, observou-se durante este estudo, componentes da identidade cultural que com sentidos próprios formam o nacionalismo, o latino-americanismo, o hispanismo e hoje, fortemente realçada um europeização da elite brasileira que foram compreendidos aqui como partes integrantes da vida política e como formadoras da cultura política, entendida como um sistema de representações portador de normas e valores políticos que encontra-se intimamente interligado a fenômenos como o autoritarismo, a democracia, o populismo e ao próprio nacionalismo. Após pesquisa e análise, concluiu-se que, num mundo globalizado, com uma visão geopolítica de centro e periferia, percebem-se suas populações em crise de sentidos devido aos constantes ataques da mídia e discursos diversos e contraditórios. Um espaço mediado pela linguagem e pelas múltiplas interferências que compõem o imaginário e a história da vida e da política latino americana, sendo componentes agregadores, também, de sentidos e significados que compõe seus saberes que não se baseiam em visões idealizadas de comunidades e sim em sentidos, percepções, valores e ideologias enraizadas em suas culturas. Comunidades que não são unidades harmoniosas e não correspondem a categorias bem definidas de comportamento, mas são comunidades caracterizadas pelas suas dinâmicas, moldadas por conflitos, disputas de poder, competição de variados interesses, exclusão, inclusão e desempenho de múltiplas identidades constituindo suas realidades. No entanto, a realidade que é informada institucionalmente aparece ao indivíduo não como uma entre outras formas de viver, mas como realidade correta, e o sujeito, com toda sua comunidade, não encontra mais em sua verdade a verdade do “Outro”. Uma crise de sentidos que alcança homens e mulheres da América Latina e os fazem crer que não há mais valores comuns e, por isso, são incorporados na sociedade como colonizadores (aquele que manda) e/ou colonizados (aquele que obedece), reforçando as diferenças, mantendo preconceitos e preservando os imensos desníveis sociais.