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Resumen de ponencia
A PRODUÇÃO ACADÊMICA SOBRE O PATRIARCADO E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO BRASIL

*Alcione Alves Da Silva



O presente trabalho refere-se ao recorte do estado do conhecimento de uma pesquisa em andamento que se desenvolve no Curso de Doutorado em Educação do Programa de Pós-graduação em Educação da UFPE – PE - Brasil. O mesmo, vincula-se a Linha de Pesquisa Formação de Professores e Práticas Pedagógicas e tem como objeto: a influência do Patriarcado nas Práticas Pedagógicas da Educação de Jovens e Adultos em escolas do Território Campesino. Desta maneira, neste recorte definimos como questão problema: como se dão as discussões sobre Feminismo/Patriarcado e sua articulação as Práticas Pedagógicas na Educação de Jovens e Adultos? Para responder a essa pergunta definimos como objetivo: compreender como se dão as discussões sobre Feminismo/Patriarcado e sua articulação as Práticas Pedagógicas na Educação de Jovens e Adultos. Para alcançarmos o que foi proposto, trouxemos os resultados que apontam as produções científicas do campo da Educação que apresentam discussões sobre as categorias que adotamos para a busca das produções científicas, a saber: Educação de Jovens e Adultos, Feminismo, Patriarcado, Práticas Pedagógicas. No texto utilizamos como lente teórica os Estudos Pós-coloniais (QUIJANO, 2005, 2007; GROSFOGUEL, 2007; MIGNOLO, 2005, 2008; MALDONATO-TORRES, 2007) e o Feminismo Latino-americano (RICH, 2004; AGUIAR, 2000; GARGALLO, 2007; LUGONES, 2012) por compreendermos que são teorias que nos auxiliam a estabelecer uma leitura de mundo diferente da instituída pelo padrão Moderno/Colonial/Patriarcal. Estas abordagens teóricas nos auxiliarão porque entendemos que o que elencamos como objeto constitui um elemento silenciado pela estrutura Moderna/Colonial de poder e as abordagens dialogam a partir do lugar de quem passou pelo processo de silenciamento/subalternidade histórica, a saber: as mulheres da Educação de Jovens e Adultos. Desta forma, o Patriarcado é um padrão de poder que se estabelece antes do processo de Colonização das Américas e que se reconfigura e se adapta, mas que não desaparece. Para tanto, apesar do Patriarcado na atualidade não necessariamente se materializar com a figura assumida de um patriarca (AGUIAR, 2000) ele se reconfigura através do controle das ações e comportamentos das mulheres. O que em tempos mais antigos se materializava pela força física e imposição de poder, na atualidade também se caracteriza pela força e pela imposição de poder, entretanto, de uma maneira subjetiva. Neste sentido, compreendemos que a estrutura de Patriarcado estabelecida socialmente, é definida como Masculinidade Neoliberal Globalizada (RICH, 2004). Esta estrutura de poder, reorganizada e que ganha outra nomenclatura, utiliza a sua força construindo discursos que caminham na direção da política de igualdade de gêneros: masculino/feminino, quando na verdade, através das exigências sociais a força criativa e de trabalho das mulheres é explorada para o benefício dos homens. Para além disto, percebemos que a própria inserção das mulheres nos espaços de trabalho se dá através da ocupação daqueles lugares que não são mais a preferência dos homens. De mãos dessa teoria, elegemos como chão de pesquisa bases de dados de produção científica no campo da Educação, são elas: i) ANPEd (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação); ii) Revista EJA em Debate – IFSC; iii) Banco de Teses e Dissertações do Programa de Pós-graduação em Educação – UFPE/CE. A escolha dos espaços de produção se deu porque: a) representa a maior e mais importante Associação Nacional em Pesquisa no âmbito da Pós-graduação do Brasil; b) representa a discussão acadêmico-científica da área específica da Educação de Jovens e Adultos; c) traduz o que se estuda no universo em que esta pesquisa se insere. Para o tratamento dos dados utilizamos a Análise de Conteúdo via Análise Temática. Dessa forma, os dados apontam que há uma ausência de discussão sobre Feminismo/Patriarcado nas produções científicas referentes a Educação de Jovens e Adultos. As produções centram-se majoritariamente em torno da Prática Pedagógica. Além disso, não localizamos nenhum trabalho que dialogou com os Estudos Pós-coloniais e Feminismo Latino-americano, o que revela o silenciamento de lentes teóricas outras, no contexto da EJA, capazes de dialogar a partir de lugares silenciados e subalternizados.




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* Alves Da Silva
Universidade Federal de Pernambuco UFPE. Recife-PE, Brasil