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Resumen de ponencia
As Crônicas do Jornal dos Sports: Uma leitura subjetiva da sociedade carioca nos anos 1950

*André Alexandre Guimarães Couto



O presente trabalho é fruto da Tese de Doutorado em História pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Paraná (UFPR) denominada “Cronistas Esportivos em Campo: Letras, Imprensa e Cultura no Jornal dos Sports (1950-1958)” e investiu na investigação de um gênero híbrido de narrativa textual, no limite entre o jornalismo esportivo e a literatura: a crônica sobre os esportes. Para tanto, escolhermos uma série de autores/cronistas que atuaram no Jornal dos Sports, ao longo da década de 1950, na cidade do Rio de Janeiro (Brasil). O objetivo central da pesquisa foi perceber em que medida estes narradores tinham a autonomia suficiente para criar e recriar representações culturais e sociais em torno dos esportes, além de descobrir quais eram estas posições. Apesar de o futebol ter dominado as pautas da imprensa esportiva ao longo de todo o século XX, como os campeonatos regionais, as Copas do Mundo e a Copa Rio, entendemos que outros assuntos foram debatidos por estes cronistas como a cobertura dos Jogos Olímpicos, tudo isso sob a luz da linha editorial deste jornal, que valorizava a prática do denuncismo e a do clubismo, dentre outras.
O Jornal dos Sports, como jornal/empresa, conseguira empregar uma quantidade significativa de jornalistas, cronistas, fotógrafos, redatores, funcionários administrativos, trabalhadores de serviços gráficos, dentre outras ocupações do mundo do trabalho das comunicações. Do ponto de vista da criação textual e narrativa, os cronistas se destacavam com uma visão de mundo e sociedade esportivos onde algumas características eram moldadas em favor de uma linha editorial, que por sua vez, não era pétrea e monolítica, tendo em vista que existia uma relação dialógica entre a direção do jornal e a autonomia literária e subjetiva dos autores que por ali trabalhavam. Por meio da análise das nossas fontes, pudemos perceber que tal procedimento era menos contraditório do que se poderia imaginar, pois o processo de autonomização dos cronistas, o que nos aproxima do conceito de campo de Bourdieu, tinha no Jornal dos Sports um local apropriado para se manifestar e compor um mosaico de representações sobre os esportes e a organização destes.
Na ocasião da elaboração do trabalho, utilizamos a metodologia da análise do discurso para compreender as narrativas de um conjunto diverso de autores/cronistas que atuavam naquele periódico.
Desta forma, além de podemos entender melhor as origens e posições sociais e culturais de cada cronista e, desta forma, situar as produções textuais dentro de um contexto mais amplo, também propomos uma classificação mesmo que provisória para os textos publicados no Jornal dos Sports na década de 1950.
Portanto, como um dos resultados da pesquisa, a taxonomia proposta pela pesquisa é que podemos ter pelo menos quatro grupos de autores/cronistas a saber: o primeiro grupo trata de narradores da área cultural, oriundos de uma formação erudita e de uma produção literária para além do interesse esportivo. Cabe lembrar que integrantes deste grupo também compunham um time de dirigentes esportivos e, por vezes, da área política formal.
O segundo grupo era composto por jornalistas experientes que atuavam no Jornal dos Sports em décadas anteriores aos anos 1950 e que ocupavam espaços significativos nas páginas do jornal, devido a sua longevidade na ocupação jornalística, mas também pela necessidade de ocupar espaços privilegiados no cronismo esportivo.
O terceiro grupo poderia transitar entre os dois grupos anteriores mas a formação de uma classificação a parte se justifica pelo estilo narrativo, utilizando a polêmica e a ironia em excesso como característica principal, principalmente entre os interdiscursos e diálogos com os demais cronistas do jornal.
Finalmente, e não menos importante, principalmente por se tratar de um universo cultural e profissional de grande presença masculina, temos um grupo (formado por duas cronistas) de mulheres que discutiam o esporte nas páginas do jornal em formato de crônica.
Enfim, o trabalho procura apresentar uma classificação possível dentro de possibilidades de análise dos modelos de estilos narrativos e discursivos das crônicas esportivas na década de 1950 no Rio de Janeiro.
Desta forma, poderemos ter uma visão mais ampla e profunda da história da imprensa esportiva, que não passe necessariamente pela exclusiva atuação de um único jornalista, Mário Filho, espécie de mito fundador da comunicação esportiva brasileira.





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* Guimarães Couto
Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca CEFET/RJ. Rio de Janeiro, Brasil