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Resumen de ponencia
Rádio Piraí: comunicação a serviço da polifonia na inclusão de usuários do sistema de saúde mental

*Tâmara Lis Reis Umbelino



A presente pesquisa intitulada “Rádio Pirai: comunicação à serviço da polifonia na inclusão de usuários do sistema de saúde mental” atua junto às oficinas de rádio e TV com os usuários do sistema municipal de saúde mental da cidade de Juiz de Fora, Zona da Mata Mineira (Brasil). As oficinas realizadas duas vezes por semana funcionam como forma de promover a socialização e promoção da comunicação comunitária como ferramenta de empoderamento dos assistidos. Pretende-se com esta pesquisa garantir o direito de fala daqueles cidadãos tratados como “loucos” e que por muito tempo foram sistematicamente silenciados. Para melhor compreender a realidade vivenciada, trabalhamos com o discurso sobre a loucura amplamente difundido pelos meios de comunicação de massa e o histórico da reforma psiquiátrica brasileira. Atuamos ainda com os conceitos de comunicação comunitária que valorizam o direito de fala da comunidade que atua como protagonista e narradora de sua própria história. Através da instrumentalização das pessoas com sofrimento mental que fazem uso do sistema público de saúde, pretendemos garantir que outro olhar sobre a história já contada sobre a loucura receba a atenção e o respeito que merece. Através de depoimentos de usuários que já estiveram, inclusive, internados em manicômios e instituições psiquiátricas, pretende-se garantir que não haja retrocesso em relação ao tratamento do sofrimento mental no Brasil.
A pesquisa se dá através de ações que acontecem junto ao Centro de Convivência Recriar, um serviço do Departamento de Saúde Mental da Secretaria de Saúde da Prefeitura de Juiz de Fora, que atualmente atende 94 usuários visando a inclusão e reabilitação psicossocial de pessoas com transtorno mental. No local, os usuários participam de diversas oficinas: como artes, pintura, canto, costura e rádio e TV. Essa última, incentiva a expressão verbal e possibilita exercitar a criatividade, assim como a geração de conhecimento. Além de ser uma importante atividade de comunicação e interação social, permitindo que eles exponham de forma espontânea, suas produções internas, como poesias, músicas, atividades de locução e entrevistas. Com o slogan “Não desperdice sua loucura”, a “Rádio Piraí”, nome escolhido pelos próprios participantes, é pioneira em Juiz de Fora e abre espaço para as pessoas portadoras de bipolaridade, esquizofrenia e outros tipos de transtorno mental.
O principal objetivo da oficina de rádio é a reconstrução do olhar social sobre as pessoas com transtorno mental. Através das ondas do rádio pretende-se possibilitar que os usuários da rede de saúde mental, que por muito tempo tiveram sua liberdade de expressão limitada, possam exercer livremente a comunicação. Que compartilhem experiências vividas durante o tratamento do sofrimento mental, o que pode funcionar inclusive como aprendizado não apenas para os pacientes que passam a refletir sobre suas vidas quando as ouvem em programas radiofônicos ou televisivos, mas também para profissionais da Saúde e da Comunicação que se sensibilizam para, de fato, atuarem de acordo com a demanda da comunidade atendida.
Os usuários da rede de saúde mental usam o rádio, uma mídia tradicional, prática e barata visando ainda o aprimoramento da qualidade dos programas e o aperfeiçoamento das funções escolhidas por eles, como locução e entrevista. Todo o trabalho conta com suporte e orientação de alunos voluntários das disciplinas de Redação e Produção para Áudio e Comunicação Comunitária nos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda do Centro Universitário Estácio Juiz de Fora. A equipe de comunicação atua acompanhando a produção das oficinas e promovendo a capacitação dos participantes. Atua ainda de forma ativa na gravação dos programas da “Rádio Piraí”. A promoção social do portador de transtorno mental é a principal meta a ser atingida.
O objetivo da oficina de rádio e TV é quebrar com o ciclo de isolamento das internações Além dos cerca de 25 beneficiados diretos, participantes das oficinas, os benefícios dessa ação de comunicação almejam chegar aos familiares, amigos e pessoas com as quais os usuários do sistema de saúde mental do município dividem seu cotidiano. Além, dos bons resultados servirem de incentivo para que novos integrantes possam se interessar também por essa oficina.




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* Reis Umbelino
Centro Universitário Estácio Juiz de Fora Estácio. Juiz de Fora, Brasil