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Resumen de ponencia
Relações etnico-raciais na universidade: reflexões de um pesquisador negro em formação

*Paulo Gustavo Da Costa Santos



O racismo faz parte da realidade da população negra, que vem a mais de quatro séculos vivendo em uma sociedade racista e ainda com traços da colonização. Mesmo que muitas vezes velada, a discriminação racial tem consequências que acarretam em exclusão, silenciamento e segregação.O Programa de Educação Tutorial (PET) é uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC) que visa realizar o modelo de indissociabilidade do ensino, da pesquisa e da extensão. O PET desenvolvido na Faculdade de Educação, Campus Belo Horizonte, da Universidade do Estado de Minas Gerais (FaE/CBH/UEMG), desde abril de 2013, tem como título: “Formação docente para o trabalho com relações étnico-raciais na educação infantil: uma proposta de fortalecimento acadêmico e de combate às desigualdades raciais”. Seu eixo articulador é o tema da “Educação das relações étnico-raciais na educação infantil” e uma de suas principais metas é aprofundar o estudo e a reflexão em torno de um conjunto de referências, sobre as relações étnico-raciais, capazes de contribuir para a qualificação da intervenção a ser feita pelo/a professor/a no âmbito dessa etapa escolar.
As população negra, sobretudo, são atingidas pelo preconceito desde o começo de suas vidas e a escola, que deveria ser um ambiente acolhedor, muitas vezes se torna espelho do sistema racista presente na sociedade e reproduz atitudes e métodos preconceituosos. Com base nos estudos de raça do campo da educação, este texto tem como objetivo pautar a questão do racismo em ambiente escolar e procura orientar e analisar em uma perspectiva socio-historica a construção de identidade das pessoas negras e negros no território brasileiro. Segundo a autora Nilma Lino Gomes (2005, p.52), racismo é “um conjunto de ideias e imagens referente aos grupos humanos que acreditam na existência de raças superiores e inferiores (...) resulta da vontade de se impor uma verdade ou uma crença particular como única e verdadeira”. Sua prática pode variar em função do contexto social e cultural em que o sujeito negro está inserido. Uma dessas práticas consiste em mecanismos de rejeição a tudo aquilo que foge ao padrão hegemônico, ou seja, branco. No período escolar, tais mecanismos são perceptíveis a partir, por exemplo, do diferente tratamento de professoras perante as crianças e adolescentes brancos, que recebem mais atenção e afagos. Sobre a diferenciação de cuidados, Oliveira (2004) aponta que as crianças negras passam menos tempo nos colos de suas professoras, recebem menos carinho e são chamadas por apelidos inferiorizantes. Esse tratamento diferenciado acaba por contribuir para que as crianças negras sejam vistas a partir de um olhar estereotipado, fruto de uma percepção distorcida do que diz respeito à suas identidades, fomentando o racismo.A identidade negra é entendida aqui, como afirma Gomes (2004), como sendo parte da “construção social, histórica, cultural e plural” de um povo. Essa se configura em meio a relações de poder, de forma gradativa e em contextos complexos. Além disso, identidade é algo construído a partir das relações entre os sujeitos pertencentes e não pertencentes a ela. Sendo assim, mesmos sujeitos não negros participam da construção da identidade negra, e tal influência pode afetar de forma positiva ou negativa a identidade do povo negro. Kabenguele Munanga (1994, p.187) define identidade negra como sendo uma tomada de consciência de um segmento étnico-racial excluído da participação na sociedade, para a qual contribuiu economicamente, com trabalho gratuito como escravo, e também culturalmente, em todos os tempos na história do Brasil.Sendo assim, para a construção de uma identidade negra positiva, que rompa com visões negativas, historicamente construídas sobre o que é ser negro/a, vê-se a necessidade de se pensar em uma educação que não reproduza concepções racistas. Tal educação contrapõe-se àquela vigente nos sistemas escolares que, segundo Santiago (2015, p. 446), é praticada para “garantir privilégios aos não negros, fundando abismos sociais pautados em diferenças fenotípicas que cunham processos de exclusão”.




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* Santos
Faculdade de Educação da Universidade do Estado de Minas Gerais UEMG. BELO HORIZONTE, Brasil