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Resumen de ponencia
Fotografia e Documentarismo Social : um Estudo Sobre a Escola de Fotógrafos da Favela da Maré no Rio de Janeiro

*Marília Falci Medeiros



Esta pesquisa tem como objetivo analisar o trabalho fotográfico de três ex-alunos da Escola de Fotógrafos Populares da Maré, uma favela significativa da cidade do Rio de Janeiro. Criados nessa comunidade, esses fotógrafos fazem parte da imensa população pobre que compõe o chamado Complexo de Favelas da Maré, situado na zona norte da cidade. Nossa intenção é mostrar como a formação de jovens artistas populares, comprometidos com o ambiente em que nasceram e foram criados, se expressam através da fotografia. Eles narram em suas imagens histórias de vida e vivências do cotidiano e procuram construir uma consciência crítica sobre a vida estigmatizada dos moradores da comunidade. A Maré é vítima da exclusão social e das violências geradas pelas ações da polícia e do tráfico de drogas. Inicialmente, nossa preocupação é apresentar a origem de uma pedagogia, influenciada por Paulo Freire e que de forma ela foi aplicada na Escola de Fotógrafos da Maré. Na segunda parte analisa-se o trabalho fotográfico dos alunos jovens e correlaciona-se as fotos com as suas trajetórias de vida. A Escola de Fotógrafos da Maré foi criada através de uma estrutura que envolve três seguimentos: uma Escola, uma Agência e um Banco de Imagens. A Escola de Fotógrafos e a Agência Imagens do Povo foram idealizadas pelo fotógrafo João Roberto Ripper em 2004. Ripper tem como marca registrada da sua carreira expressar com imagens realísticas as dificuldades, os anseios, as lutas e também as boas iniciativas das populações carentes. Várias instituições colaboraram e patrocinaram os projetos da Escola, como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em 2007, Furnas em 2006, a UNESCO, em 2009, e o Ministério da Cultura durante os governos do Partido dos Trabalhadores. A proposta pedagógica da Escola construída pelo seu fundador está baseada no despertar crítico dos jovens. Por isso, durante um ano, fazem cursos não só das técnicas de fotografia, mas também de história da fotografia, história do Brasil, Sociologia e Ética. A Escola já formou um número representativo de fotógrafos populares e é importante observar que há uma rotina entre eles que acabam por se tornarem também professores do programa e fotógrafos da Agência do Povo. Estes alunos se recusam a trabalhar profissionalmente na Grande Mídia, tendo em vista sua formação crítica e consciente em relação ao papel profissional que possam desempenhar. Nosso objetivo é observar as fotos, em sua singeleza cotidiana, como documentários, como uma prática intuitiva de "etnografia de rua", ou exercício de observação na rua. Acreditamos que é neste sentido, como veículo de comunicação interpessoal, que entendemos as experiências dos fotógrafos formados na Escola de Fotógrafos da Maré. Observaremos a imagem fotográfica, em sua forma documentária, produzindo informação, tornando visível e reduzindo o imenso domínio da invisibilidade social. Neste sentido, ela torna-se suporte de interações em situações sociais e culturais específicas. A fotografia social é a fotografia de investigação e de comunicação sobre problemas sociais. É uma fotografia militante na qual o objetivo é testemunhar a favor de vítimas e de contribuir para a resolução de problemas. Segundo Roland Barthes, a fotografia fala à percepção como “isto foi”, como algo que já ocorreu, Na dupla posição conjunta; realidade e passado estariam embrenhadas nas possibilidades de pensar o tempo como fotográfico. As marcas do tempo e do passado seriam também as marcas do narrador fotógrafo. Ao registrar um acontecimento, ele se entrega à lembrança. A foto torna-se uma narrativa eternamente condenada a viver no passado, ao que já foi e aconteceu. O fotógrafo é um narrador. A narrativa não explica; tal como a fotografia, ela evoca. A arte de narrar deixa na narrativa a marca do autor, assim como a boa foto traz o olhar sensível do fotógrafo atento ao captá-la. Segundo Roland Barthes (1984), a fotografia fala à percepção como “isto foi”, como algo que já ocorreu, Na dupla posição conjunta; realidade e passado estariam embrenhadas nas possibilidades de pensar o tempo como fotográfico. As marcas do tempo e do passado seriam também as marcas do narrador fotógrafo. Ao registrar um acontecimento, ele se entrega à lembrança. A foto torna-se uma narrativa eternamente condenada a viver no passado, ao que já foi e aconteceu. O fotógrafo é um narrador. A narrativa não explica; tal como a fotografia, ela evoca. A arte de narrar deixa na narrativa a marca do autor, assim como a boa foto traz o olhar sensível do fotógrafo atento ao captá-la.






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* Falci Medeiros
Universidade Federal Fluminense UFF. Niterói, Brasil