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Resumen de ponencia
ASPECTOS GERAIS DA COMPLEXIDADE DO PROCESSO DE FORMA(ÇÃO)TAÇÃO DO BRASIL SOBRE A ÓTICA AGRÁRIA

*Luiz Eduardo Fleury



Ao delimitar as partes principais que constituem uma planta, a raiz merece um destaque todo especial. É justamente nessa área da planta, que normalmente se encontra numa posição inferior, que sai importância seja menor, além do que por estar abaixo da superfície do solo, ou seja, às escondidas, ela tenha pouca relevância, pelo contrário, ali é onde se encontra o sustentáculo da planta, somando ainda com as funções de extrema importância para a sobrevivência da planta, como por exemplo; absorver água e fixar (dar sustentação) junto ao solo.
Enfim, porque começar a um breve ensaio sobre a formação social brasileira ressaltando elementos da ordem biológica? Iniciar relatando sobre a importância de uma parte, em muitas das vezes, não tão visível de uma planta? A(s) resposta(s), ou pelo menos o encaminhamento, e sua relação com a formação social brasileira é complexa, porque encontrar uma resposta, se isso for possível, perpassa pela questão inicial, que vem a ser as origens, ou melhor, as raízes de todo o processo. E essas raízes históricas desse processo de entendimento do social brasileiro merecem um estudo todo enfático e relevante que expõe a gama de elementos presentes ainda hoje na sociedade brasileira.
Alguns teóricos tratam desse assunto, a formação social brasileira, sob a ótica oriunda do campo, do agrário, do caipira e demais outros termos e conceitos que se ligam ao setor não urbano para pensar nessas origens, nessas raízes que nem sempre estão às vistas dos pesquisadores. Alguns pesquisadores foram fundamentais para que esse encaminhamento, o viés caipira/rústico, fosse essencial e alguns nomes se tornam destaque em textos e estudos clássicos sobre o temos, cito Antônio Cândido de Mello e Souza (1918-2017), Maria Isaura Pereira de Queiroz, Victor Nunes Leal (1914-1985) e José de Sousa Martins.
E partindo desse pressuposto inicial que são as raízes, ou seja, essas origens que nem sempre ficaram à vista sobre a formação brasileira, mas que devem ser consideradas ímpares, nada melhor que delimitar, e expor, alguns dos principais pontos de análise, desenvolvida por alguns dos teóricos, citados anteriormente, para compreender essa planta complexa que forma a nação brasileira. Compreendendo os elementos de continuidades e rupturas na História Brasileira.
A complexidade inicial para pensar sobre o processo de formação social brasileiro remonta à ordem geográfica, que exige procurar localidades que possam dar as pistas e o direcionamento dessa formação. E nesse sentido a figura de um personagem foi de importância ímpar na historiografia e na sociologia brasileira, o professor Alfredo Ellis Júnior, que no ano de 1950, com seu livro intitulado “O Café e a Paulistânia” caracterizou e delimitou determinadas áreas as quais seriam cruciais para esse entendimento. Era a região da chamada Paulistânia.
Segundo Ellis (1948), essa região da chamada Paulistânia compreenderia o Estado de São Paulo, grande parte dos atuais Estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso chegando a partes também do Paraná, além de agregar porções do Espírito Santo e Rio de Janeiro. Importante ressaltar que o nome Paulistânia aparentemente lembra a região de São Paulo, porém a área compreendida é muito maior. E nessa região é que irá se desenvolver as características primarias do que veio a ser conhecido como caipira.
O caipira deve ser interpretado como um dos tipos do homem rural brasileiro, pois de acordo com as localidades geográficas brasileiras, a designação para esse homem rural é bastante variável. Traçar um modelo padrão do que vem a ser o caipira torna-se uma tarefa árdua, mas em linhas gerais, esse tipo de personagem que constitui uma peça importante para o entendimento do Brasil, vive em um tipo de sociedade, onde a mesma se caracteriza por ter forma é homogênea de viver, com valores tradicionais bastante arraigados, que se desenvolveu através de um processo histórico desse grupo que se estabeleceu na região da Paulistânia, região essa com uma importância ímpar para se pensar o Brasil.




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* Fleury
Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade. Instituto de Ciências Humanas e Sociais . Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - CPDA/UFRRJ. Rio de Janeiro, Brasil