O presente artigo contempla a trajetória do Programa Nacional de Inclusão de Jovens - ProJovem Urbano desde sua primeira versão “original” de 2005 até a edição 2012, apresentando como as duas grandes reformulações (2008 e 2012) possibilitaram seu gradativo aperfeiçoamento. O ProJovem, regulamentado pelo Decreto nº 5.557, de 05 de outubro de 2005, trouxe consigo a bagagem de ter sido o primeiro grande programa criado pelo governo federal direcionado "intencionalmente" para a juventude brasileira (ANDRADE, ESTEVES, OLIVEIRA, 2009). Além disso, deu origem a duas grandes inovações para a concretização das políticas de juventude: um currículo inovador, contemplando o Ensino Fundamental, a qualificação profissional inicial e a ação comunitária; e também, uma gestão compartilhada, entre o Ministério da Educação - MEC, o Ministério do Trabalho e Emprego - MTE e o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome - MDS, sob a coordenação da Secretaria-Geral da Presidência da República (BRASIL, 2008b). O ProJovem pretendeu assumir, ao mesmo tempo, caráter emergencial e experimental, por meio da imediata reinserção dos jovens no sistema de ensino, no mundo do trabalho e na sociedade, através de ações integradas. Precursor de uma proposta que reúne escolarização, formação inicial para o trabalho e ações de cidadania, o Programa destina-se, atualmente, a jovens de 18 a 29 anos que, embora alfabetizados, não concluíram o ensino fundamental. Este estudo tem como objetivo revelar as principais contribuições desta política pública para a vida dos jovens brasileiros no que tange ao acesso e permanência na escola. A metodologia contemplou o levantamento bibliográfico acerca do Programa, em que foram analisados documentos oficiais, tais como a Lei 11.129 e o Decreto nº 5.557, que regulamentaram a implementação do ProJovem, dentre tantos outros. Os resultados mostraram que desde a primeira reformulação realizada em 2008, a relação professor-aluno aparece como um incentivo à permanência no Programa, além de estimular a continuidade dos estudos após a conclusão do curso. Constatou-se também que ao ser incorporado pelo Ministério da Educação – MEC em 2012, passando a integrar a modalidade Educação de Jovens e Adultos – EJA, o Programa trouxe mudanças significativas para a Política Nacional de Juventude – PNJ. Nosso propósito em apresentar um estudo a respeito do Programa Nacional de Inclusão de Jovens foi trazer contribuições para as discussões a respeito do direito à educação da juventude no campo da EJA. Isto porque, um dos principais desafios que se apresentam à educação pública brasileira, consiste em promover a inclusão social da juventude, de forma a garantir seus direitos e promover a redução das desigualdades sociais. Novaes afirma que “não podemos idealizar a juventude” (2012, p. 1). Para a autora, devemos considerar as variadas identidades presentes neste público e, ao mesmo tempo, pensar na igualdade entre elas, atendendo à pluralidade existente. Andrade destaca que, na EJA “estão os jovens reais, os jovens aos quais o sistema educacional tem dado as costas” (2004, p.24). O público da EJA, em sua maioria, é composto de jovens trabalhadores, que no passado tiveram, de alguma forma, seu direito à educação negado. Oferecer apoio a tal grupo de jovens, marcado por profundas desigualdades sociais, significa permitir que eles tenham uma nova oportunidade de acesso à educação, o que, na verdade, também se constitui um direito seu. Contudo, vimos que, além de garantir o acesso, é necessário também assegurar as devidas condições de permanência. Nesse sentido, Arroyo (2006) realça: “a história mostra que o direito à educação somente é reconhecido na medida em que vão acontecendo avanços sociais e políticos na legitimação da totalidade dos direitos humanos” (p. 28). Espera-se ainda, com este estudo, contribuir com subsídios capazes de auxiliar na compreensão do que vem representando a oferta de políticas públicas para os jovens da EJA, sujeitos estes que apresentam-se como um dos mais vulneráveis e invisibilizados no campo da educação em nosso país.