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Resumen de ponencia
Trabalho de mulheres caminhoneiras e carreteiras: Experiências, representações e desigualdade de gênero

*Danilo Leite Moreira



Para que possamos compreender as relações de gênero hoje é preciso compreende-las sob ótica da categoria analítica gênero de acordo com Joan Scott (1989), uma vez que esta categoria permite perceber e indicar as construções sóciohistórica sobre os papéis sociais tidos como próprios aos homens e às mulheres. Danièle Kergoat (2009) no verbete Divisão Sexual do trabalho no Dictionnaire Critique du féminisme mostra que em diversas disciplinas como a Históriae a Sociologia, divisão sexual adquiriu status de conceito analÍtico, assim, divisão sexual do trabalho é a forma de divisão do trabalho social decorrente das relações sociais de sexo; sendo adaptada historicamente a cada sociedade. Em grande medida, a segregação construída nos espaços para homens e mulheres, no final do século XIX, limitava as mulheres brancas de classe média ao espaço doméstico; já as mulheres das camadas populares estavam presentes mais no espaço público do que no âmbito privado. É perceptível que essa construção ideológica dos espaços público e privado enquanto uma ideologia burguesa permeia os discursos até os dias de hoje, uma vez que, ainda pensar o termo “trabalho feminino” é colocar as mulheres, independente da classe social, no trabalho doméstico, ligado aos cuidados da família e da casa. Embora, hoje, as mulheres venham ganhando o seu espaço na esfera pública, se faz necessário problematizar a divisão sexual do trabalho, pois a construção em torno do biológico feminino deixou marcas indeléveis na construção social, principalmente no que tange à questão do trabalho feminino. Pensar a construção do trabalho entorno dos veículos automotivos é também refletir as representações construídas sobre os gêneros, visto que durante muito tempo os veículos automotivos foram espaço destinado somente ao público do gênero masculino. O único espaço ocupado pelas mulheres dentro de um veículo era os bancos do passageiro. Hoje, os aportes teórico da historiografia e a presença de mulheres habilitadas a dirigir carros caminhões, carretas, etc. nos permitem reformular e reorganizar essas simbolizações construída sobre o trabalho em veículos automotivo. Há inúmeras mulheres transgredindo os espaços privado para ocupar profissões ligada ao mercado automotivo e de transportes, outrora tidas como profissões de homens. No Brasil, embora exista um número expressivo de mulheres que tiram a primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para condução de veículos de pequeno porte, como carro e moto, esse número é bem reduzido quando se trata de veículos de grande porte, no caso de caminhão e Carreta. De acordo com os Dados Ministério das Cidades de 2018, o Brasil tem 2,3 milhões de pessoas habilitadas para dirigir caminhões e carretas. Desse número, apenas 153,8 mil são mulheres aptas para conduzir veículos de grande porte. Embora, esses números sejam inferior com relação aos dados dos homens eles já são evidentes principalmente da desigualdade numérica entre homens e mulheres no trabalho de caminhoneiro (a)/carreteiro (a); por outro lado, destaca-se também a presença de mulheres em um espaço laboral ainda predominantemente associado ao masculino. Sendo assim, este estudo tem por objetivo trazer as narrativas de histórias de vida de mulheres que trocaram o lar pela “boleia do caminhão e da carreta”, destacando os desafios e preconceitos enfrentados para se tornarem caminhoneiras e carreteiras, bem como as inúmeras dificuldades que enfretam cotidianamente nas estradas. Nos relatos coletados é comum identificarmos os seguintes temas: que vão desde sair para longas jornadas de trabalho e deixar a família, à problemas na malha rodoviária e as péssimas condições de trabalho. No espaço de trabalho tido como dos homens, as mulheres caminhoneiras e carreteiras se deparam com pontos de descanso com estrutura desfavorável, muitos sequer possuem sanitário feminino; Machismo e falta de respeito; Possibilidade de sofrer atos de violência sexual; Preconceito tanto dos profissionais da área quanto da sociedade. Embora nos últimos anos notamos a participação maior das mulheres nos espaços públicos, o casamento e a maternidade são os principais fatores de entrave a ampliação do número de mulheres nos trabalhos de caminhoneira e carreteira. Por um lado, as experiências de mulheres que trabalham nas boleias de caminhões e carretas estimulam a problematizar as representações machistas que colocam as mulheres distante do trabalho no transporte de cargas no Brasil conquanto os números mostram o aumento da presença de mulheres habilitadas para dirigir caminhões e carretas. Por outro lado, seus relatos de experiência dão a ver a construção de femininos, além do que esta naturalizado pelas representações automobilísticas.




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* Leite Moreira
Fundação Universidade Federal da Grande Dourados. Faculdade de Ciências Humanas. Universidade Federal da Grande Dourados - FCH/UFGD. Dourados-MS, Brasil