A atual intensificação do processo migratório tem como origem, além de outros fatores, as guerras civis, como a da Síria e de uma crise internacional econômica, podendo ser representada pela recente crise econômica da Grécia envolvendo a União Europeia. Possuem envolvimento de potências, acarretando um potencial bélico expressivo, resultando em inúmeras mortes. Com esta situação, e a busca do viver bem, há alastramento do processo migratório, caracterizado por experiências diversas, e tem o Brasil como um dos maiores receptores. Perante desse contexto, há relevância no tratamento dos Direitos Humanos e Direitos Fundamentais dos sujeitos envolvidos nesse evento. Partindo então, da necessidade do amor mundi, com a alteridade como busca e um foco na mantença da dignidade da pessoa humana, pensamentos como o de Hannah Arendt colaboram com a reflexão, pois, mesmo com uma preocupação pós-totalitarismo, existem brechas que permitem que acontecimentos semelhantes ocorram, como o leilão de migrantes no território libanês, e no que diz respeito ao Brasil, a situação dos venezuelanos, principalmente no estado de Roraima, revela-se preocupante no que tange as formas de adaptação do grande fluxo. A liberdade entra como um pilar para o debate, pois está inserida no processo de escolha no âmbito das movimentações, e como se processo se desenvolve tem estreita relação com os Direitos Humanos. A burocracia, como exemplo, afeta os caracteres morais da singularidade e de participação do espaço público. Nesse sentido, observou-se a burocratização como exteriorização de uma violência, assim como analisa Arendt, e ainda, a partir da necessidade de constante construção dos Direitos Humanos, coloca-se como questão a sua abstração, e a importância da sensibilidade, sendo que sua ausência é, na verdade, a incompreensão da tragédia, (Arendt, 1969). Hannah explica no livro A Vida do Espírito (1978), sobre a vontade, no sentido de ser aquilo que depende das escolhas do humano, e que não seria objeto disso o fim, mas o meio a qual se quer chegar ao fim que é comum a todos os humanos, qual seja, viver bem. Diante disso, o objetivo está centrado na reflexão da condição humana dos migrantes, com a implicância nos fatores internos, a singularidade, concomitantemente com a dinâmica da sociedade em que se insere. Através da busca por meios que incitem o despertar do interesse no Outro, como a literatura, com base na experiência, e de conceitos que tornem possível a compreensão de tais experiências. Vai além da simples análise legislativa, e busca as motivações dos processos migratórios, e conceitos como liberdade, violência, burocracia e autoridade, assim como o conceito de cidadania. No que tange à reflexão literária, foi a partir do entendimento de que a ficção é o meio que melhor possibilita o olhar além dos fatos puros, algo que a filosofia sozinha não faz. Assim sendo, as passagens do livro Terra Sonâmbula, de Mia Couto (2002), permite a sensibilidade e o despertar da alteridade, permite que os migrantes e refugiados não sejam apenas sombras, e sim seres dotados de poder político e voz ativa. O estudo das obras de Hannah Arendt compõe a base da reflexão, com sua escrita sobre condição humana, trazida assim, para o contexto dos migrantes e refugiados. A escuta da voz dos migrantes para o escape da conceituação jurídica, que as legislações apresentam, é essencial para que se conheça, de fato, a singularidade, o sujeito da narrativa, é um passo que colabora com a mantença dos Direitos Humanos e assim, distancie-se da abstração proeminente no seu entendimento. Nesta esteira de raciocínio, em um plano mais próximo na história, com a atual intensificação dos processos migratórios, as consequências jurídicas são relevantes, principalmente no que se refere aos Direitos Fundamentais, pois há uma problemática na esfera da cidadania, que é chave para a concretização dos direitos fundamentais. Conclui-se portanto, que o local de falara para reflexões sobre os Direitos Humanos dos migrantes está nos preceitos do Estado Democrático de Direito, através da pesquisa bibliográfica e do método dialético, pois os objetos estudados não são fixos, configurando a trajetória da pesquisa um processo de desconstrução.