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Resumen de ponencia
Os Centennials: Construções de novas Cibersociabilidades na Escola Pública e Privada.

*Paula Cristina Barros Lopes



Com o advento popular e instantâneo das Redes Sociais a geração Centennial (também conhecida como Z e pós-millennial), a geração que compreende as pessoas nascidas na década de 90 até o ano de 2010, está consumindo, a partir da tecnologia, tanto conhecimento/informação de uma maneira geral quanto bens culturais, o que nos leva a considerar que igualmente estão fundando novas formas de se relacionar, isto é, estão construindo, sobretudo um novo modo de vida, que contempla o virtual diuturnamente. Assim, pretende-se pesquisar de que modo podemos compreender a influência desse fenômeno cibersocial na vida dos Centennials, ou ainda, investigar quais similaridades e diferenças podemos encontrar nos modos de vida e nas novas sociabilidade geradas nestes jovens – que nasceram na virada do século – a partir de um estudo comparativo a ser realizado entre Escolas Públicas (formatos: Profissionalizante e Regular), e Escolas Privadas (de Elite).
Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil de 2014 e 2015 , as porcentagens de jovens (10-17 anos) usuários de internet cresceram de 77% para 80% - algo em torno de 23,4 milhões entre crianças e adolescentes usuários no país – e se considerarmos os números regionais, só no Nordeste já são cerca de 71% da juventude que usa a rede mundial. Aprofundando mais ainda os dados, entre a faixa etária de 15 a 17 anos, aproximadamente, 77% utiliza a internet mais de uma vez por dia. Além disso, por volta de 83% (total de jovens Brasil) acessa a rede através do celular, e destes: 84% pertencem às classes A e B, 82% à classe C e 86% às classes D e E. Ainda, considerando a faixa etária de 15 a 17 anos, encontramos 39% que só acessam a internet pelo celular, e – do total Brasil - 39% destes estão na região Nordeste. Para além disso, no Brasil, conforme a pesquisa TIC Kids Online Brasil de 2014, próximo de 78% possuíam perfil próprio na rede social Facebook e 48% em outras redes.
Partindo do pressuposto que, essa revolução tecnológica das redes sociais invadiu indiscutivelmente ao longo das duas últimas décadas, todos os aspectos da vida social, o presente trabalho tem como questão central realizar um estudo comparativo que contemple realidades escolares consideradas antagônicas pelo senso comum – a escola pública e privada - para a partir desse estudo, além de apreender as possíveis repercussões que essa transformação cibersocial impõe ao cotidiano destes jovens, ensaiar prováveis correlações entre semelhanças e desigualdades encontradas nesses novos formatos de modos de vida/sociabilidades no ambiente escolar público (formato profissional e regular) e privado (escola de elite). Esse estudo comparativo tem por principal propósito verificar se existem diferenças/correspondências - e quais são - desses novos modos de sociabilidades entre os jovens da escola pública e privada, uma vez que historicamente esses ambientes são tanto estruturalmente quanto educacionalmente diversos, como podemos observar – segundo informações do portal G1 - na lista divulgada pelo Inep (2015) das escolas que mais aprovaram no Enem de 2014: das 14.998 escolas que participaram do exame, as 100 com maior nota média no exame eram privadas, e considerando o universo de 1.000 somente 49 eram da rede pública.
Destarte, para que se possa compreender as interferências desse fenômeno cibersocial na vida destes garotos e garotas, na sociedade brasileira e especialmente cearense, é essencial investigar não somente como esse acontecimento afeta tanto os modo de viver e a maneira como se relacionam esses jovens, mas sobretudo apreender como esses modos de vida, bem como essas novas cibersociabilidades geradas a partir do uso cotidiano dessa tecnologia, se manifestam também na escola. Para tanto, faz-se necessário estudar as formas de uso das redes sociais, pela geração Centennials; investigar de que maneira o uso destas redes de relacionamentos virtuais interferem na vida social real; analisar como as relações interpessoais construídas a partir da conectividade das redes sociais (Facebook, WhatsApp; Instagram) se transformam em relações/ações no cotidiano; examinar ainda como essas plataformas sociais se expandem para a vida real; e por último, mas não menos importante, inferir possíveis correspondências e discordâncias a partir de uma experiência social comparativa entre escola pública e privada.
Nesse entendimento, proponho trabalhar a pesquisa empírica com questionários, e posteriormente com entrevistas semiestruturadas e grupos focais, aplicados junto aos jovens das respectivas escolas. Além disso, será feito acompanhamento a página do Facebook de ambas as Escolas, e vários outros sites e páginas de redes sociais, relacionados à temática que se configuram entre ricas fontes de pesquisa, uma vez que as redes estão totalmente imbricadas no cotidiano dos jovens da geração Centennial. Por último, estabelecer relações através de quadros comparativos entre a realidade virtual juvenil pública e privada. Além de ampla pesquisa bibliográfica e documental. A pesquisa está em andamento, e refere-se a dissertação de Mestrado.




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* Lopes
Laboratório de Estudos da Violència. Programa de Pós-Graduação em Sociología. Departamento de Ciências Sociais. Ctro. de Humanidades.. Universidade Federal do Ceará - LEV/UFC. Fortaleza, Brasil