Resumen de ponencia
DESNATURALIZAÇÃO DAS REPRESENTAÇÕES DE GÊNERO, RAÇA E ETNIA NA ESCOLA
*Alexandre De Oliveira Gama
*Kassius Kennedy Clemente Batista
Os materiais didáticos utilizados na educação escolar para abordagem da história dos indígenas, afro-brasileiros e africanos ainda permanecem reféns de um conjunto de saberes eurocêntricos, sexistas e evolucionistas que constroem verdades sobre esses grupos. Em geral, enunciam e fazem circular representações estereotipadas e essencializadas a respeito do passado, identidades, saberes e tradições destes povos. Este trabalho tem por objetivo a aplicação de oficinas pedagógicas para alunos do Ensino Médio da rede pública, utilizando como método o debate crítico e a historicização dessas representações dentro do contexto da reflexão decolonial.
Imagens relacionadas a escravidão, movimento negro, prisões e mulheres negras serão mostradas a grupos de estudantes para estimular o debate sobre seu conteúdo e representações. Em seguida, as intervenções dos professores serão no sentido de historicizar para os alunos o período, lugar social e os interesses que estiveram por trás das construções das representações negativas sobre negros e mulheres na história do Brasil. Ao final, a oficina conseguiu colaborar para que determinadas representações sobre esses grupos fossem desnaturalizadas, abrindo possibilidades para a crítica aos estereótipos construídos e reforçados pelos materiais didáticos e, de forma geral, pela mídia.
Este trabalho tem por objetivo a expor e refletir sobre o resultados de oficinas pedagógicas de história aplicadas a estudantes de nível médio da rede pública de ensino. Essas oficinas fizeram parte do projeto de extensão realizada em 2017 intitulada “Mbopyau: ensinando histórias do possível”, coordenado pela Professora Dra. Susane Rodrigues de Oliveira da Universidade de Brasília - UnB. A oficina foi dividida em três partes, cada uma com tempo médio de 20 minutos. Para a primeira, selecionamos previamente imagens que fizessem alusão a escravidão, à mulher negra, ao sistema prisional brasileiro e a rebelião de escravos. As imagens foram impressas em cartazes e mostrada uma a uma aos estudantes para estimular a reflexão e debate sobre as questões suscitadas por elas. Logo em seguida, na segunda parte da oficina foi feita a intervenção dos professores historicizando os estereótipos e representações preconceituosas reforçadas pelas imagens.
No terceiro momento, apresentamos fotografias de personalidades negras desconhecidas do público em geral que ocupam cargos de destaque na sociedade (ex-ministro, desembargadora, físico, neurocientista, escritora, jornalista, artista, enfim, todos negros e negras). Perguntamos aos estudantes quem eles imaginavam ser tais pessoas. Enquanto achavam se tratarem de “candomblecistas”, “dona de casa”, “funkeiro” e “cantor de reggae”, todos demonstraram surpresa quando revelamos a eles quem eles realmente eram. Queríamos, nesta última parte, de maneira prática, provocar os estudantes a perceberem seus preconceitos e a compreenderem que eles, naquelas mesmas condições, poderiam se tornar o que quisessem, independentemente do lugar reservado a eles por meio dos estereótipos e representações expostos na oficina.
Escolhemos trabalhar inicialmente um piloto desta oficina em parceria com a Professora de História do Centro de Ensino Médio 01 (CEM) de São Sebastião (DF), Germana Emanuella da Silva Costa, no dia 13 de Junho de 2017, em data sugerida pela própria docente. A professora se interessou e apoiou a proposta porque já trabalhava com a temática de gênero e raça em sua disciplina. A mesma oficina foi aplicada em duas turmas de 40 alunos cada, durante o período matutino. Dois horários consecutivos de 40 minutos para cada uma delas, sendo que os dois primeiros destinados a turma do 1º ano (turma “C”) e os dois últimos a turma do 1º ano (Turma “D”). A oficina foi ministrada em uma ampla sala de aula, onde os estudantes foram dispostos em suas carteiras em forma de uma elipse. A proposta foi garantir mais liberdade para que se sentissem mais à vontade para manifestar suas opiniões. Foi utilizado imagens impressas em papéis. O produto dessas oficinas foi um relatório que, por sua vez, irá compor o capítulo de um livro sobre práticas de ensino, além do presente trabalho que pretende contribuir – sem encerrar – as discussões sobre estereótipos de homens negros e mulheres negras.