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Resumen de ponencia
O Movimento Negro de Base Acadêmica e as ações afirmativas na Universidade Federal de Goiás

*Mariza Fernandes Dos Santos



O objetivo deste estudo é analisar a trajetória do Movimento Negro de Base Acadêmica na Universidade Federal de Goiás (UFG). O tema surgiu a partir da compreensão de que, se hoje podemos afirmar que a UFG avançou na implantação e manutenção de políticas de ação afirmativa, especialmente as cotas para negros(as), indígenas e quilombolas, isso se deve à atuação de uma coletividade organizada, formada por estudantes, professores e professoras majoritariamente negras. A implantação da primeira iniciativa ligada ao Movimento Negro Acadêmico na UFG, o Projeto Passagem do Meio (2004), implicou na formação de um grupo de estudantes e professoras(es) negras(os) que, por meio de suas práticas, ajudaram a gerar entre os demais membros da comunidade acadêmica e na sociedade em geral um intenso debate sobre as políticas de reserva de vagas para estudantes negros (as) na UFG. Conforme se verá mais adiante, esse processo culminou com a adoção, pela universidade, do Programa UFGInclui, em 2008 . Nesse sentido, uma parte deste trabalho é dedicada a evidenciar e analisar a atuação de coletividades negras organizadas no processo de implantação de políticas de ação afirmativa na UFG.
Para tanto, no primeiro tópico, procuramos investigar como a educação se situa entre as demandas do Movimento, tendo em vista os graves problemas educacionais que atingem essa parcela da população. Em seguida, com base na análise de Nilma Lino Gomes (2012), buscamos apontar alguns aspectos que configuram o Movimento Negro como um ator político que, por meio de suas ações, realiza uma pedagogia política, ressignificando e politizando a raça de maneira emancipatória. Na segunda parte do trabalho, a partir da categoria espaço, traçamos um panorama do que estamos chamando de espaço acadêmico (RATTS, 2009; 2011) a partir da compreensão do espaço como algo histórico e socialmente produzido e que, por isso, materializa as relações de poder que se desenvolvem na sociedade.
Compreendemos que a ação de coletividades negras organizadas no espaço acadêmico ocorre por meio da construção de estratégias territoriais que conferem novos usos a esse espaço e redimensionam as trajetórias socioespaciais de estudantes negros(as). Chegamos a esta conclusão após analisar o processo de adoção de um programa de cotas pela universidade, o UFGInclui, e verificar o contexto atual da instituição. Podemos afirmar que as vivências experienciadas pelos(as) estudantes no Movimento Negro Acadêmico implicaram em mudanças significativas em suas trajetórias, influenciando desde os temas das pesquisas desenvolvidas por eles(as) e suas trajetórias profissionais até a autoestima e a autoidentificação como negras(os). As informações colhidas por meio das entrevistas apontam para uma reelaboração dos significados de ser negro(a) pelos(as) participantes de projetos de ação afirmativa, coletivos e núcleos voltados para a discussão sobre raça e racismo na UFG. Nos relatos apresentados pelos(as) estudantes durante as entrevistas da pesquisa, ficou evidente que essas pessoas ampliam esse processo positivo para o seu núcleo extra-academia, com um impacto muito grande principalmente nas famílias.
Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa que faz uso de múltiplos procedimentos metodológicos. Dentre eles, o levantamento bibliográfico, as entrevistas gravadas e a pesquisa documental, que envolve consultas aos acervos dos projetos, programas, grupos e coletivos pesquisados. Para as entrevistas, foram selecionadas 9 pessoas, sendo 4 homens e 5 mulheres com idades entre 26 e 34 anos. Todos(as) se auto-declaram negros(as) e fizeram graduação na Universidade Federal de Goiás. As áreas de formação dos(as) entrevistados(as) são: Geografia (3), História (5) e Ciências Sociais(1). Todos(as) frequentaram o ensino médio em escolas públicas. Com relação ao grau de formação, duas pessoas têm mestrado e doutorado completos, duas estão cursando doutorado, quatro estão cursando mestrado e um já concluiu o mestrado e se prepara para ingressar no doutorado.




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* Fernandes Dos Santos
Universidade Federal de Goiás UFG. Goiânia, Brasil