Essa pesquisa pretende compreender as medidas tomadas pela Administração Obama no tocante à política externa de Direitos Humanos. Considerado hesitante por Kenneth Roth (2010), Obama herda um país mergulhado em uma crise econômica severa, duas guerras assimétricas (Afeganistão e Iraque), dois conflitos regionais com duas potências nucleares (Coreia do Norte e Ira) e um conflito regional específico, entre Israel e Palestina, caracterizado por sua dinâmica própria, em razão da relação especial entre os EUA e Israel (MEARSHEIMER, WALT, 2006). Considerada inicialmente inexistente (Drezner, 2011), sua política externa foi classificada por Dueck (2015) como uma combinação entre acomodação internacional e retração. Obama os combinou visando implementar uma retração significativa em termos de poder geopolítico e militar. Suas medidas incluíram cortes orçamentários que buscaram evitar intervenções militares e diminuir a participação americana além mar. A acomodação ocorreu através da posição multilateral adotada desde seu primeiro ano na presidência, através da aproximaçao com outro país, esperando uma concessão recíproca. Dueck considerou essa segunda estratégia menos bem sucedida que a primeira, principalmente nas políticas contraterroristas. Na análise de Drezner, Obama assumiu o poder com três firmes convicções estratégicas: 1) que o rejuvenescimento doméstico era crucial para qualquer grande estratégia de longo prazo, algo ressaltado diversas vezes nos seus discursos de política externa; 2) que os EUA sofriam de um superesticamento nos lugares errados, lutando duas contra-insurgências, e uma guerra ao terror no Oriente Médio enquanto negligenciava outras partes do globo e 3) que os erros cometidos por sua Administração colocavam os EUA numa posição inadequada para uma liderança considerada por algumas décadas unipolar. (Krauthammer, 1990/1991). Agiu multilateralmente num cenário de multiparceiros. Por isso tentou resetar suas relações com a Rússia, ao mesmo tempo em que estabelecia um diálogo estratégico e econômico com a China, criando uma espécie de G2. Além disso, abraçou o G-20, para suplantar o G8 como um fórum econômico internacional, na crença de que mais parceiros transformaria-se em mais parcerias efetivas. Extensiva e cuidadosa nas análises acerca da política externa e da grande estratégia, a literatura especializada peca em analisar as políticas implementadas voltadas de maneira específica para os direitos humanos. A proposta consiste em verificar as medidas implementadas pela Administração em pontos sensíveis à temática proposta: a) a retirada das forças armadas dos EUA do Iraque e do Afeganistão; b) a utilizaçao dos Drones durante os conflitos no Afeganistão, Paquistão, Somália e Yemen, c) o uso de arsenais nucleares e a negociação com a Rússia à adesão ao Novo START, d) a atuação junto ao Oriente Médio, em especial, através da mobilização de uma coalizão internacional de modo a proteger os grupos pró democracia na Líbia e no Egito, tanto na ONU como na OTAN, ao mesmo tempo em que isolava e enfraquecia o Ira através da aplicaçao sistemática de sanções ao país junto ao Conselho de Segurança da ONU, e) o fortalecimento das relações entre EUA e Israel, e, talvez a mais crucial de todas, f) a promessa de fechar a prisão de Guantánamo, que não se concretizou durante o seu mandato presidencial, verificando alguns dos obstaculos que resultaram em sua negativa. A metodologia empregada é de uma pesquisa qualitativa, aplicada ao estudo de caso da política externa dos EUA durante a Administração Obama. Utiliza-se o método hipotético-dedutivo que se inicia pela percepção de uma lacuna no conhecimento sobre política externa para os direitos humanos, acerca da qual foi formulada a hipótese e, pelo processo de inferência dedutiva, testa-se a predição da ocorrência do fenômeno nas temáticas específicas e sistematizadas. O procedimento para coleta de dados da pesquisa é documental e bibliográfico. A pesquisa é desenvolvida como uma pesquisa exploratória e explicativa para fins de proporcionar maior familiaridade com o problema da politica externa para os direitos humanos de modo a pôr em evidência a ocorrência do fenômeno. Por se constituir em uma pesquisa em andamento, os dados e análises a serem apresentados constituem-se ainda em consideraçoes parciais dessa proposta de pesquisa.