Resumen de ponencia
“Opinião não é homofobia”: uma análise do discurso do Pastor Silas Malafaia sobre gênero e sexualidade
*Itamara Freires De Meneses
A proposta do trabalho parte de uma abordagem analítica da religião midiática, tomando como foco de análise os discursos emitidos via twitter pelo Pastor assembleiano Silas Malafaia. É dentro dessa ferramenta de comunicação virtual que o religioso se posiciona diante de várias temáticas, dentre elas a questão de gênero e sexualidade, problemáticas que fundamentarão a análise. Atrelado a isso, a discussão se volta às críticas cometidas pelo líder religioso a partidos políticos que de alguma maneira se comprometem com o respeito à comunidade LGBT.
O Pastor Silas Malafaia é líder da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, também é presidente do Conselho de Ministros do Estado do Rio de Janeiro (Comerj), vice-presidente do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb), entidade que agrega mais de 8,5 mil pastores brasileiros, e presidente da Editora Central Gospel e da gravadora Central Gospel Music. É um dos líderes evangélicos que mais vendem CDs, DVDs e livros religiosos para evangélicos e não evangélicos no País.
Nesse sentido, a proposta desenvolve uma análise que tem como centralidade o papel do Pastor Silas Malafaia na construção de discursos que mobilizam agentes sociais. Compreendendo por sua vez, em que medida os discursos conservadores e religiosos emitidos pelo pastor contribui no processo de legitimação das violências sofridas por homossexuais.
Associado a essa questão, analisa as estratégias utilizadas pela liderança religiosa no intuito de enfraquecer partidos políticos que se posicionam de forma positiva ao movimento LGBT, os partidos em destaques são: Partido Socialismo e Liberdade – PSOL, Partido Comunista do Brasil - PCdoB e Partido dos Trabalhadores – PT.
Parto da perspectiva que o conflito entre Malafaia e os três partidos políticos toma força no momento em que o pastor se nega a aceitar qualquer iniciativa que seja adepta a homossexualidade. Dessa forma, tomo como argumento que Silas Malafaia passa a investir em estratégias que venham a desmoralizar esses partidos, no momento em que observa que essa desmoralização seja uma forma de também atacar e deslegitimar a comunidade LGBT.
Passa a ser importante pontuar a insistente atenção que o pastor Silas Malafaia oferece a tudo que tenha alguma afinidade com as relações homoafetivas. Reafirmando sempre em suas colocações a constante negação a homossexualidade e disseminando a proposta da heterossexualidade como uma regra. Um efeito excludente, pois ao tempo em que o princípio heteronormativo é tomado como única forma de relacionamento amoroso a homoafetividade passa a ser visualizada como algo que necessita ser combatido. “A ‘unidade’ do gênero é o efeito de uma prática reguladora que busca uniformizar a identidade do gênero por via da heterossexualidade compulsória” (BUTLER, 2016, pág. 67).
Nesse sentido, o líder religioso parece atuar de forma a bombardear todos os processos que de algum modo operam na tentativa de desconstruir a noção da homossexualidade como algo que precisa ser condenado. Ao tempo em que o Pastor Malafaia observa que alguns partidos se comprometem com a igualdade de gênero e o combate à violência advinda dessa desigualdade, o ataque do religioso a esses partidos passa a ser bem direto e intensivo.
A escolha pelo pastor Silas Malafaia se deu justamente pela peculiaridade na forma como expõe suas ideias e mobiliza pessoas diante de uma causa. A posição de pastor já o coloca diante de uma situação que possibilita o papel de formador de opinião. Acrescido a isso, Malafaia consegue de uma forma muito curiosa levar o púlpito a sua conta no twitter.
Em um dado contexto histórico, para fazer uso de um discurso primordialmente religioso, um sermão, se fazia necessário se deslocar até uma igreja e refletir as palavras da autoridade religiosa. Na contemporaneidade por sua vez, o que podemos observar é um bombardeio de informações, ideias, distorções. A sociedade que Zygmunt Bauman (2011) denominou de líquida é justamente caracterizada pela quantidade infinita de informações chegando a uma velocidade inacreditável.
A consequência dessa realidade se encontra localizada na ausência de uma reflexão do que chega até as pessoas e da maneira às vezes irresponsável com que as informações são propagadas, interpretadas e reproduzidas. A sociedade tecnológica, moderna, dinâmica é também a sociedade em que as pessoas estão valorizando muito mais a quantidade de informação que chega até elas do que a consistência do que é difundido.
Uma liderança religiosa quando faz uso de uma rede social para proferir algum esclarecimento, posicionamento deve ter em mente que sua fala chega a uma gama grande de pessoas. Mais do que, o religioso precisa possuir consciência do seu poder de fala, justificado na sua posição, afinal de contas, é tido que a autoridade religiosa fala em nome de Deus.