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Resumen de ponencia
Comunicação sobre HIV/Aids entre adolescentes: uma aposta?

*Adriana Kelly Santos
*Iaralyz Fernandes Farias



Introdução: No Brasil, o tema da comunicação sobre HIV/Aids tem sido investigado por diversos campos de conhecimento, especialmente, na Saúde Pública. Na pesquisa de comunicação sobre HIV/Aids desenvolvida no Laboratório de Educação, Ambiente e Saúde (Leas) na Fundação Oswaldo Cruz, analisamos a literatura científica publicada no Scielo no período de 1996-2017 e também um conjunto de 530 materiais educativos (cartazes, folhetos, etc) produzidos por instituições governamentais e não-governamentais que atuam no campo da Aids. A partir dessas análises identificamos, tanto na literatura revisada como no conjunto dos materiais educativos, a demanda por pesquisas sobre o tema junto ao segmento de jovens. Aliado a esse achado, dados do Ministério da Saúde indicam que a infecção por HIV entre adolescentes/jovens tem aumentado ao longo dos últimos 10 anos. Metodologia: Com base nessas informações, no período de 2015 a 2017, desenvolvemos um pesquisa-intervenção buscando compreender como jovens/adolescentes percebem as interrelações entre sexualidade e HIV/Aids e discutir estratégias de comunicação direcionadas para esse público. Participaram do estudo 104 alunos do ensino médio do curso de formação de professores para séries iniciais de uma escola da rede estadual de educação, situada no município do Rio de Janeiro. A abordagem socioantropológica orientou a realização de 11 oficinas com os estudantes, sendo discutidos os temas: adolescência, sexualidade, Aids e experimentados diversos gêneros comunicacionais (cartas, análise de 16 materiais educativos sobre DST/Aids destinados à adolescentes, dramatização, jogos) na interação com os adolescentes. Resultados: No desenvolvimento das vivências identificamos os valores, crenças, conhecimentos e experiências sobre sexualidade e o HIV/Aids socializadas no cotidiano escolar. Constatamos a heterogeneidade de discursos acerca da sexualidade, cujas variações giram em torno dos sentidos relacionados a identidade de gênero (papéis sociais de homens e mulheres, orientação sexual e práticas sexuais), a concepção biológica/biomédica do corpo (reprodução humana, diferenças anatômicas entre os sexos, sexo), a dimensões afetivas e emocionais (desejo, amor, prazer, descoberta). Essas perspectivas se alinham as significações relativas a Aids e sua prevenção. O sexo seguro/uso da camisinha masculina é evidenciado como a principal estratégia de prevenção à Aids reconhecida pelos jovens, o que é ratificado na literatura revisada e também predomina nas mensagens dos 16 materiais educativos sobre DST/Aids analisados. Contudo, observamos que para os jovens há outros sentidos primordiais que tecem os fios entre sexualidade, experiências sexuais e Aids. A intensidade do vínculo afetivo-amoroso e a confiança no parceiro determinam a decisão para o uso ou não do preservativo. Aliado a esse aspecto, a auto-estima e o cuidado de si são estruturantes nesse processo de decisão compartilhada. Em termos do conhecimento sobre Aids ficou evidente que apesar do acesso a informação em diferentes meios, conversar sobre a doença com os familiares e amigos ainda é um tabu. A gravidez é um tema de maior relevância quando comparada à Aids. Quanto ao suporte comunicacional foram mencionados as redes sociais (facebook, instagram, twitter, whatsapp) e jogos como os mais próximos dos contextos de interação entre jovens. No âmbito da pesquisa, optamos coletivamente, pela produção de um jogo de imagens sobre sexualidade e Aids. Foram elaboradas 30 cartas (com cenas que integram os conteúdos biológico-cultural-subjetivo sobre sexualidade e Aids) e definido o tipo de jogo e suas regras (jogo de cooperação com sorteio de um tema, cada jogador conta uma história a partir da cena da carta retirada do baralho. Ao final, todos discutem a história narrada). Considerações Finais: Concluímos que o processo reflexivo, o protagonismo e o reconhecimento das subjetividades dos jovens foram centrais na interação e no diálogo sobre a prevenção do HIV/Aids junto a esse grupo.




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* Santos
Laboratório de Educação Ambiente e Saúde do Instituto Oswaldo Cruz - FIOCRUZ/LEAS/IOC. Rio de Janeiro, Brasil

* Farias
Universidade Federal do Rio de Janeiro/ Instituto de Estudos em Saúde Coletiva - UFRJ/ IESC. Rio de Janeiro, Brasil