No dia 25 de maio, o então presidente colombiano, Juan Manuel Santos, anunciou o ingresso do país na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), na categoria de sócio global, constituindo o primeiro país latino-americano a integrar o bloco. Além disso, o ex-presidente assinou o acordo de adesão à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), da qual fazem parte 36 países descritos pelo Banco Mundial como economias de renda média alta (México e Turquia) e alta. Santos, que também recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2016 pelos seus esforços na negociação do acordo de paz com a maior guerrilha do Estado colombiano, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), sinaliza o caminho de modernização pelo qual está percorrendo o país, a partir da aproximação com as nações ditas desenvolvidas.
Consoante a isso, a presença militar dos Estados Unidos no país, a partir do Plano Colômbia (2000) e do Amazonlog17 (2017), estabelecido na tríplice fronteira entre Tabatinga, Letícia e Santa Rosa, insere-se no processo de ingerência estadunidense permanente, “subterrâneo” e silencioso na região, que tem como premissa o domínio dos recursos naturais desde uma óptica de política securitária, e a desestruturação de quaisquer ameaças que ponham em xeque tal domínio. Diante disso, a doutrina de segurança hemisférica cristalizada na Colômbia a partir de seu ingresso na aliança militar e também na OCDE, faz do país um polo estratégico estadunidense para inserção na América Latina. Esta, por sua vez, é justificada pela narrativa de que o papel dos Estados Unidos na região é o de garantidor da paz e dos princípios democráticos, caracterizando o complexo de messias desenvolvido pelo Estado norte-americano ao se dizer protetor e segurador do subcontinente.
Com isso, o objetivo desta pesquisa é analisar o papel da Colômbia na estratégia multidimensional de dominação dos EUA na região, a partir do cenário regional, a que se soma Argentina, Brasil e Peru, de guinada conservadora, em clave oposta à trajetória progressista da região. Assim, pretende-se analisar o reposicionamento militar dos Estados Unidos na região e, principalmente, na Colômbia, tendo em vista a conjuntura regional e internacional, bem como tais conjunturas se inter-relacionam. A primeira se delineia com a ascensão de governos de direita e a retomada de princípios neoliberais, que favorecem a inserção estadunidense. Já a segunda, se esboça com a reemergência chinesa no sistema internacional, a partir da elaboração da iniciativa One Belt One Road, que propõe reconfigurar a ordem mundial e, concomitantemente, impulsiona a demanda por commodities, aproximando a China dos países latino-americanos.
Esta proposta de pesquisa tem como perspectiva teórica um olhar marxista da dependência, centrada nos quadros estruturais aos quais os países latino-americanos estão submetidos. Para isso, faz-se uma análise da conjuntura que dialoga com os tempos passados, como teorizado por Fernand Braudel na dialética dos tempos, e emprega-se o conceito de hegemonia de Ana Esther Ceceña, basilar ao pensar o contexto onipresente da hegemonia dos EUA na região. O domínio estadunidense se dá, dessa forma, a partir de duas frentes, sendo que a primeira se sobrepõe à segunda: a de uso militar, a qual consiste em uma combinação entre dominação, força e capacidade dirigente; e a visão gramsciana, em que a hegemonia se faz mais por parte da criação de imaginários e sentidos coletivos, responsáveis por perceber e reproduzir as relações sociais como relações de poder e padronizar a noção de modernização e desenvolvimento.
Para tanto, será realizado um levantamento de dados com o objetivo de mapear as bases militares dos Estados Unidos na Colômbia, no sentido de desvelar as considerações geopolíticas que embasam a política estadunidense para a região.
Intenta-se demonstrar como o discurso isolacionista do presidente Donald Trump, que aponta para um afastamento da América Latina, é destoante do que é afirmado na Estratégia de Segurança Nacional e na Estratégia de Defesa Nacional dos EUA; bem como inserir esse reposicionamento militar na América Latina no contexto internacional de reconfiguração da ordem mundial, na qual a China desponta também no subcontinente.