Resumen de ponencia
Da motivação à participação: o envolvimento político diante das ocupações nas escolas secundaristas no Distrito Federal e Entorno, no ano de 2016
*Fernanda Alves Fernandes Fidelis
No Brasil, tem-se observado desde as Jornadas de Junho de 2013 várias demonstrações de insatisfação com a Política Nacional e mobilizações da juventude por todo o país. Em particular, no ano de 2015, ocorreram em São Paulo, ocupações em mais de 182 escolas, com significativa participação da sociedade civil. No ano seguinte, em 2016, a capital do Brasil foi palco de ocupações em escolas de Ensino Médio de várias regiões administrativas; assim como a Universidade de Brasília. A principal pauta era impedir a implantação da PEC 241/2016, temas como a melhoria das condições de ensino e acesso às Universidades Públicas, também foram intensamente debatidos. Delimitamos o recorte espacial e temporal ao Distrito Federal e Entorno, desse modo pesquisamos apenas estudantes que participaram das ocupações em 2016. Foram sujeitos do estudo estudantes das seguintes escolas: Centro de Ensino Gisno, Centro de Ensino Médio Ave Branca, Centro de Ensino Médio de Taguatinga Norte, Centro de Ensino Elefante Branco. A justificativa para estudar estas escolas levou em consideração o longo período, nas quais elas se mantiveram ocupadas, o que permitiu um levantamento mais preciso acerca dos atores e formas de ação. Para as Ciências Sociais, a importância de estudos sobre a participação política é significativa, especialmente entre os jovens na contemporaneidade. Mais relevante ainda se colocam os estudos que envolvem os últimos grandes protestos no Brasil, cujas causas e motivações ainda permanecem pouco esclarecidas na literatura especializada. Buscou-se responder às perguntas: i) Quais as motivações que levaram os estudantes a ocuparem as escolas? ii) Qual o impacto do trabalho de base dos movimentos sociais, partidos, sindicatos e coletivos entre os estudantes antes, durante e após as ocupações? iii) Quais as fontes de informação política que os estudantes utilizam? Esta pesquisa tem como objetivo a construção da memória coletiva para compreender a motivação das/dos estudantes. Buscou-se uma abordagem de cunho mais qualitativo, a partir da realização de entrevistas semiestruturadas. Construiu-se uma cronologia de lutas secundaristas do Distrito Federal e Entorno para entender o processo das ocupações, utilizou-se como fonte jornais online e páginas das ocupações no Facebook. Recorremos à Psicologia Política na qual Sandoval apresenta um modelo de consciência política, que traz em seu bojo diversas dimensões social e psicológica, constituintes da consciência política do sujeito enquanto membro da sociedade. Utilizou-se a literatura acerca dos movimentos sociais para compreender as ocupações secundaristas. Na pesquisa do perfil e trajetória política das/dos entrevistadas/os, chegou-se a conclusão de que a influência para inserção na vida política pode ter vindo de um incentivo em casa, alguns contaram que os pais já haviam sido militantes políticos ou participaram de greves, movimentos sociais e/ou partidos. Autores como Jennings e Fuks atentam para a escolaridade dos pais como importante e decisiva na construção do perfil político do jovem. Dentre as/os entrevistadas/os que tiveram influência da família no engajamento político, houve cinco estudantes que disseram ter essa influência, dentre estes os pais possuíam nível superior. A criação de redes de solidariedade e empatia com a comunidade externa entre as/os secundaristas foi também responsável por manter as/os estudantes em luta e motivadas/os nas ocupações. Assim, observou-se que a motivação política, das/dos estudantes sujeitos do estudo, baseia-se em fatores que se capilarizaram dentre as sete dimensões observadas por Sandoval (2001). Diante dos liames traçados entre teoria e contexto analisado, observa-se que a práxis anarquista e a ausência de vinculação ideológica direta entre ativismo e construção dos movimentos sociais na atualidade, tornam-se cada vez mais complexos diante da ausência de relação direta com um viés ideológico que dê a base motivadora e conexão entre pessoas.As redes criadas entre estudantes que, inicialmente fomentaram a conexão e o agir direto dentro de cada escola foi crescente e, observou-se engajamento e troca de experiências, conexões e apoios entre estudantes de escolas diferentes. Disto, destaca-se a importância da internet como elemento fundamental tanto para o início de um movimento social, como o de ocupação, quanto da sua manutenção e crescimento.