Resumen de ponencia
Descolonizando saberes: Uma análise sobre a produção textual de jovens estudantes acerca das representações indígenas na sala de aula.
*Rodrigo Ferreira Dos Reis
Esta fala tem como objetivo relatar os resultados de uma análise acerca das representações sobre os indígenas a partir da teoria decolonial na sala de aula. Para tanto, foi usado o material produzido pelos alunos do terceiro ano fundamental do colégio E.E.B José Simão Hess. Os dados obtidos para análise foram produzidos a partir de atividades curriculares realizadas pelos estudantes durante o ensino dos conteúdos referentes ao Brasil República, e se inseriam no projeto de ensino e pesquisa intitulado: Histórias Globais em Projetos Locais: Da República “Velha” ao Estado “Novo” – Investigações acerca do etnicismo, das concepções de tempo, e das configurações da capital catarinense com alunos do terceiro ano do Ensino Médio. Os resultados desta análise evidenciam que as representações destes alunos sobre os indígenas reificam o lugar estereotipado e idealizado como grupo estagnado no período colonial. Igualmente, os alunos os consideram incompatíveis com os valores e o projeto de modernidade produzidos a partir dos ideais eurocêntricos. Dentre as respostas produzidas por estes alunos o enunciado Indio foi o nome dado as populações aqui presentes, indicando como é marcante a identificação colonial que marca os povos nativo de nosso continente. A generalização sobre esta população dos povos originários sendo proveniente de um erro que os primeiros europeus que aqui desembarcaram cometeram acreditando ter encontrado uma nova rota para Índia perdurou na longa duração do tempo mesmo que esta identificação tenha passado por resignificações através de diversos processos de ruptura na historia no imaginário da coloniedade a carga semântica que carrega esta palavra absorve todos os preconceitos ainda existentes sobre os povos indígenas de nosso continente assim como os africanos de uma diversidade enorme de etnias foram relegados ao negro genérico os povos originários tem seu apagamento também constitutivo na generalização da palavra índio, deste modo os estereótipos negativos e positivos recaem sobre uma população que fica essencializada . Portanto na escritas dos alunos e alunas sobre os indígenas quando não aparecem inadequados a modernidade os indígenas são imbuídos de uma responsabilidade ecológica que somente pode partir deles fazendo desse sujeitos idealizados prisioneiros de uma formula que entre o bem e o mal. Ainda, foi possível identificar qie tempo e espaço são vistos com uma lente ambíguas pois, para eles a nossa sociedade ocidental passou por transformações assim os alunos registram em suas respostas as rupturas e permanências na sociedade como um todo mas quando se referem aos povos indígenas há uma negação do movimento histórico para essa população como se houvesse um congelamento no tempo e no espaço onde essa população deveria permanecer ligando a identidade indígena a um imagem no passado relegados ao mundo da natureza permanecendo imutável compreendem o sujeito “ índio” fora da sociedade a parte de um processo “ civilizatório” e alheios a qualquer tipo de fenômeno que tenham atingidos nos últimos quinhentos anos. Neste sentido pode-se dizer que Os indígenas retratados nas representações dos jovens estudantes estão sempre ligados ao que os eles chamam de “tradição” que pode ser entendido como a “cultura indígena genérica” que corresponde também a um imaginário que alude ao “ coletivo primitivo” que tem como características a rejeição a tudo que possa mudar seu modo de vida e costumes. Outra característica relatada foi a negação do protagonismo indígena como sujeitos de suas histórias.
Por fim o que verificamos nos testemunhamos dos jovens estudantes e a experiência da violência e material e simbólica pelo qual passam as relações sociais de poder na nossa sociedade. A constituição de nossa identidade se faz na invisibilidade e negação do outro suas formas de conceber conhecimentos ficam encobertas por uma hierarquia epistemológica que define o que é conhecimento cientifico e o que é apenas misticismo. Mesmo pleiteando um ensino com enfoque na diversidade humana não haverá êxito nesta política se não houver um forma epistêmica de descentralizar o conceito de humanidade produzidos na modernidade baseado na racionalidade eurocêntrica. Neste sentido, apontamos a necessidade de uma pedagogia decolonial para que seja possível ressignificar as representações e o olhar sobre os indígenas em nossa sociedade.