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Resumen de ponencia
Novas regulações na educação superior: a questão da qualidade.

*Gladys Beatriz Barreyro



O texto examina a introdução da questão da qualidade como uma das estratégias da governança global da educação superior e o surgimento de novas regulações desse nível de ensino.
Ainda, desde finais do século XX, com a globalização, a educação superior passou a ser considerada crucial para a economia do conhecimento e é ela mesma considerada uma mercadoria. Nas últimas décadas daquele século, a discussão sobre a qualidade da educação superior entrou na agenda global, a partir da disseminação da necessidade de sua avaliação. Num primeiro momento foi a partir do desenvolvimento do Estado Avaliador, na década de 1980, em que os estados nacionais implementaram sistemas de avaliação induzidos por diversas instituições de governança global (Banco Mundial, especialmente).
Com a criação da Organização Mundial de Comércio, e a implantação do Acordo Geral de Comércio e Serviços, GATS, a educação entrou na discussão acerca de sua liberação sendo considerada não mais um direito, mas um serviço, especialmente a educação superior. (DIAS, 2003). Esse fato é crucial ao gerar uma série de mudanças no que diz respeito à questão da qualidade da educação superior, pois inicia o movimento pós-estado avaliador (AFONSO, 2013; BARREYRO, 2017)
A qualidade da educação superior considerada em escala global, tem impactos nas escalas regional e nacional, gerando relações dinâmicas entre as escalas.
A pesquisa mostra como a qualidade entra na agenda global, especialmente a partir de três políticas: a acreditação, os rankings internacionais de universidades e o projeto de criação de uma prova global para os estudantes dos cursos universitários.
Constituem referenciais teóricos da pesquisa, o conceito de Dale introduz o conceito de agenda globalmente estruturada da educação de Roger Dale, em que diversas instituições internacionais (OMC, OECD, BM, UNESCO) intervêm na elaboração e proposta de políticas em escala global, regional, nacional regional e nacional que geram uma governança sem governo. O autor considera necessário examinar as relações entre as escalas pois não haveria uma relação hierárquica e poderia haver ações paralelas ou híbridas (DALE, 2004)
A partir de análise documental e de trabalho de campo (entrevistas com participantes na elaboração de políticas globais, regionais e nacionais) são analisadas as três políticas, considerando as diferentes formas que eles apresentam em cada um e nos contextos nacionais e regionais analisados (Mercosul e Brasil).
A pesquisa mostra como a acreditação da educação superior, que havia surgido nos Estados Unidos de América no século XIX, foi extendida, mediante o Estado Avaliador a alguns países europeus (França, Holanda, Inglaterra), concomitantemente à expansão e divulgação das propostas neoliberais para a educação na década de 1980. Na América Latina, elas começaram a se desenvolver em escala nacional (Argentina, Brasil, Chile, na década de 1990) e, posteriormente, na década de 2000 se observa sua migração à escala regional tanto na União Européia como no Mercosul, mas coexistindo com a nacional.
Quanto aos rankings de universidades, eles também foram desenvolvidos nos Estados Unidos de América no século XIX e se tornaram relevantes na década de 1990 em diversos países. Mas os rankings internacionais de universidades só vieram surgir na primeira década do século XXI.. Os mais conhecidos são o Academic Ranking of World Universities (ARWU), da Shangai Jiao Tong University, o The Times Higher Education World University Ranking, desenvolvido pelo jornal inglês The Times e o QS World´s University Ranking. No Brasil, são conhecidos o do Guia do Estudante, da editora Abril e o da Folha de S. Paulo (CALDERON et. al. 2014). Quanto aos rankings, a pesquisa analisa a influencia da escala global, na escala institucional (universidade) pulverizando a escala nacional e gerando uma dinâmica global-institucional (ROBERTSON et. al. )
Já a proposta de criação de uma prova global para avaliação dos resultados de aprendizagem mostra novamente as dinâmicas relações entre as escalas, pois a escala global é alimentada pelas experiências existentes em escala nacional, que são estudadas e apartir de uma das quais é elaborado o projeto piloto (BARREYRO, 2017)
O texto pode contribuir para a análise das políticas globais e as relações entre as escalas (global, regional, nacional e institucional) mostrando as dinâmicas que entre elas se estabelecem, especialmente na educação superior. Ainda, pretende ampliar o conhecimento acerca dos rankings internacionais e suas implicações institucionais, assim como divulgar o projeto de criar uma prova global para os estudantes da educação superior.

PALAVRAS-CHAVE: Educação superior. Avaliação. Acreditação. Rankings. Qualidade.


REFERÊNCIAS
AFONSO, Almerindo J. Mudanças no Estado-avaliador: comparativismo internacional e teoria da modernização revisitada. Rev. Bras. Educ., Rio de Janeiro, v. 18, n. 53, jun. 2013.
BARREYRO, Gladys Beatriz. A avaliação da educação superior em escala global: da acreditação aos rankings e os resultados de aprendizagem. Revista Avaliação, Campinas, Sorocaba, aceito para publicação em jun. 2017.
DALE, Roger. Globalização e Educação: Demonstrando e Existência de uma “Cultura Educacional Mundial Comum” ou localizando uma “Agenda Globalmente Estruturada para a Educação”? Educ. Soc., Campinas, vol. 25, n. 87, p. 423-460, maio/ago. 2004
DIAS, Marco Antonio Rodrigues. Comercialização no ensino superior: é possível manter a idéia de bem público? Educ. Soc.,Campinas, v.24, n.84, pp.817-838, set. 2003
ROBERTSON S.; OLDS, K. World University Rankings: on the new arts of governing (quality). Centre for Globalisation, Education and Societies, University of Bristol, UK, 2012.





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* Barreyro
Programa de Pós-Graduação em Integração da America Latina . Universidade de São Paulo - PROLAM/USP. São Paulo, Brasil