Resumen de ponencia
Pré-Vestibular Popular: estratégia de acesso dos excedentes à educação superior
*Leandro Viana De Almeida
A pesquisa “Pré-Vestibular Popular: estratégia de acesso dos excedentes à educação superior”, desenvolvida na Linha de Pesquisa Educação, Trabalho e Movimentos Sociais, no Programa de Pós Graduação em Educação da Universidade Federal de Goiás objetiva investigar os Pré-Vestibulares Populares – PVPs em análise comparativa entre os cursos no contexto nacional brasileiro e as particularidades encontradas no Estado de Goiás. Procura-se localizar os agentes organizadores destas experiências e interpretar as concepções que tais agentes imprimem nos cursos preparatórios. Busca-se desvelar os elementos que justificam a emergência, a ampliação, as (re)configurações e diversificações dos PVPs.
Os Pré-Vestibulares Populares são ações sem fins lucrativos realizadas por distintos agentes organizadores, que possuem como característica o ensino de suplência à educação básica e o caráter preparatório de estudantes excedentes da educação superior para a disputa das vagas das universidades públicas. Por agentes organizadores compreende-se os responsáveis pela capacidade de agência ou ação de organizar, promover, e mobilizar a criação e manutenção dos cursos preparatórios populares para ingresso no ensino superior.
Para tanto emprega-se metodologias qualitativas: pesquisa bibliográfica e pesquisa documental. Para localização e análise dos agentes organizadores dos PVPs nacionalmente utilizou-se de pesquisa bibliográfica fundamentada na consulta dos repositórios de dissertações e teses nas universidades brasileiras. Ao todo foram analisados trinta trabalhos sendo vinte e cinco dissertações e cinco teses de doutorado. Com base no estudo da produção acadêmica pode-se afirmar que há o início da formação de uma comunidade científica dedicada ao estudo dos Pré-Vestibulares Populares no país. Ainda que os PVPs sejam um objeto de pesquisa recente compreende-se que os estudos não podem ser caracterizados como a como incipientes, como frequentemente definiam os pesquisadores que iniciaram o estudo dos cursos preparatórios. Se comparada com a década de 1990, momento em que emerge o estudo da temática junto com a proliferação massiva destes cursos, percebe-se que há um acréscimo significativo na produção acadêmica que busca analisar a emergência e consolidação destes cursos no país.
Para construção de um panorama das experiências dos Pré-Vestibulares Populares do Estado de Goiás utilizou-se de pesquisa documental realizada nos motores de busca e diretórios da rede de computadores. Com os motores de buscas do google e do yahoo localizou-se informações diversas, dentre elas jornais do Estado de Goiás com arquivo disponível para consulta virtual, blogs dos cursos preparatórios, informações do currículo lattes de professores e outros. Articulou-se as duas formas de busca, como instrumento de refinamento das informações. Realiza-se consultas nos diretórios dos jornais, das universidades, das secretarias de estado e redes sociais que permitem maior delimitação do banco de dados consultado.
A busca da história social do objeto orientou a construção do mapeamento dos PVP no Estado de Goiás teve por referência a seguinte indagação: quais experiências existem ou existiram de Pré-Vestibulares Populares em Goiás? O universo de preparatórios consultados, somente no estado de Goiás, foi de vinte e quatro iniciativas. O levantamento da pesquisa documental estabeleceu-se como recorte temporal desde a primeira experiência encontrada - 1999 até o momento de redação deste trabalho, portanto, do período entre 1999 e 2016. Destaca-se que a temporalidade do objeto é marcada não só por continuidade, mas por fechamento de cursos e paralisações temporárias. Procurou-se sistematizar o registro de tais intermitências a fim de investigar possíveis motivos para continuidade e descontinuidade dos cursos.
No contexto nacional brasileiro, emergem com maior regularidade como agentes organizadores dos PVPs os movimentos negros e os movimentos estudantis. No entanto, nos estudos mais recentes consultados o Estado também aparece como organizador de cursos preparatórios. O texto fundamenta-se na ideia de que os PVPs necessitam ser analisados em função dos excedentes dos vestibulares e da tensão entre a relação inclusão-exclusão das universidades. Deste modo, procura-se analisar tais cursos em função das contradições sociais e das inclusões que esses cursos se propõem a realizar. Aponta-se que há um limite estrutural na proposta destes cursos pois as possibilidades de inclusão estão subordinadas a escassez de vagas na educação superior. Conclui-se que com o Estado como novo agente organizador, e se comparado as experiências dos movimentos negros e estudantis, ocorre uma reconfiguração dos pré-vestibulares populares em forma e conteúdo.
Cabe ressaltar que o presente trabalho constitui-se na tentativa de construção de um painel das experiências dos cursos preparatórios populares para provar que tais iniciativas não são ações meramente pontuais como aparentemente encontram-se na realidade. Os PVPs configuram-se como uma estratégia de acesso ao ensino superior institucionalizada como prática social, no sentido sociológico do termo, ainda que seja uma política extraoficial do sistema educacional brasileiro. Adverte-se que não pretende-se esgotar o estudo destas experiências e sim ampliar as possibilidades de análises.