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Resumen de ponencia
Cineclube EIT – Educação e Cineclubismo em Direitos Humanos

*Flávia Felipe Inácio



Desde 2010 até o presente mês desenvolvemos no Centro de Ensino Médio EIT - CEMEIT – em Taguatinga no Distrito Federal - Brasil - o projeto Cineclube EIT – Educação e Cineclubismo em Direitos Humanos. Uma vez por semana frequentamos um espaço em construção para ver filmes, conversar sobre eles e os temas sugeridos, assim como de participação política e autonomia. A busca por transformações do ambiente escolar, estimulando a discussão, a participação e a proposição de caminhos mais humanos e respeitosos com o outro embasou esse projeto e envolveu os(as) estudantes, a partir do empoderamento desses(as) jovens em rodas de conversas para leitura audiovisual dentro de uma prática cineclubista. Neste relato de experiência pretendemos apresentar como a ação cineclubista contribui para a construção de diálogos na comunidade escolar sobre preconceito, discriminação, racismo, machismo, misoginia, intolerância, homofobia e outros comportamentos excludentes e desumanizadores, assim como pensarmos de forma coletiva o combate a esses comportamentos.
Temos como referência as reflexões apontadas por Lúcia Leite sobre a construção de uma escola cidadã: a escola precisa dar centralidade nos sujeitos, acolher a diversidade e dialogar com o território. A prática cineclubista se mostrou um caminho interessante de diálogo entre os(as) agentes da comunidade escolar, pensado o diálogo como o encontro de seres humanos para refletir sobre sua realidade, segundo Paulo Freire. Os encontros no cineclube tem como princípio a troca/construção de saberes, compartilhados em rodas de conversas após exibição do filme/vídeo, técnica de produção de conhecimento inspirada no método freiriano.
O projeto Cineclube EIT – Educação e Cineclubismo em Direitos Humanos foi pensando e elaborado tendo como eixo a cidadania, a diversidade e sustentabilidade humana a partir do Projeto Político Pedagógico da rede pública do Distrito Federal, assim como o Projeto Político Pedagógico da unidade de Ensino CEMEIT. Um cineclube e seus desdobramentos dentro de uma escola está possibilitando vivências educativas através de práticas que se desdobram em torno de conhecimentos relevantes e pertinentes, alternados por relações sociais, articulando vivências e saberes dos estudantes, desenvolvendo suas identidades e condições cognitivas e socioafetivas, assim como previsto no artigo sexto das Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio. Um dos objetivos gerais do projeto é possibilitar através da linguagem audiovisual a leitura de mundo e visão crítica como sujeito participante e transformador da realidade social. Ou seja, se apropriar das ferramentas e construir suas leituras de mundo através do material audiovisual contribui para um protagonismo social responsável. Como nos orienta o Currículo do Ensino Médio do DF a partir do DCNEM (já citado), pensando numa Educação para a Diversidade, Cidadania e Educação em e para os Direitos Humanos e Educação para a sustentabilidade, um dos objetivos específicos é na vivência do cineclube e de outras vivências que vieram com essa prática cineclubista, pensarmos e refletirmos sobre as relações sociais dentro da escola e na sociedade e propormos práticas de respeito ao outro e que construam uma sociedade mais justa e humana. Otro é possibilitar a participação política na busca de propostas de solução para os problemas de convivência e violência na cidade e na escola.
O que observamos foi a conquista/construção de uma espaço de diálogo e vivência dentro da escola, impulsionadora da diversidade, da acessibilidade das individualidades, do sentimento de pertencimento e o cuidado com o espaço e com o outro. Descobrimos que experimentar formas circulares, horizontais e democráticas na escola através de uma ação cineclubista despertou outras vivências e a busca do respeito à diversidade. Contudo, a ação cineclubista, colocou em pauta a importância das reflexões desnaturalizadoras de práticas discriminatórias e excludentes no ambiente escolar, antes consideradas secundárias, fortalecendo as vozes de grupos e sujeitos antes silenciados pela ideologia hegemônica centrada na discriminação.







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* Felipe Inácio
Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal SEEDF. Brasília, Brasil