Resumen de ponencia
Artesanias em Mediações Grupais e Socioculturais: aprendizados em uma prática de extensão na UNILAB-Brasil
*Jon Anderson Machado Cavalcante
Este trabalho tem como propósito apresentar os fundamentos, as ações e aprendizados originados do projeto de extensão Artesanias em Mediações Grupais e Socioculturais, desenvolvido no campus de Acarape - Ceará, pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), do curso do Bacharelado em Humanidades. Dessa maneira, a partir da visualização desse cenário composto por estudantes de diferentes nacionalidades, em múltiplos processos formativos na extensão e em estágios curriculares em diferentes áreas das Ciências Humanas, nos quais são construídas interações sociais e educacionais com sujeitos pertencentes a grupos do entorno do campus, surgiu esse projeto como proposição estratégica para a promoção de experiências educativas em mediações grupais e socioculturais que contribuam dialógica e inventivamente nesses processos. A intencionalidade desta proposta inspira-se na noção de “artesania” de modo a buscar e exercitar construções singulares, integradoras da subjetividade e da objetividade nas práticas educativas e epistêmicas entre estudantes de diversos cursos e destes junto a grupos do entorno social da universidade. Há aqui, portanto, o discernimento quanto à singularidade sociocultural de cada encontro e às relações entre sujeitos e grupos sociais. Assim, o cultivo dessa artesania de experiências dialógico-inventivas parte do pressuposto que tais interações podem ser vividas e repensadas a partir da unidade entre processos educacionais e epistêmicos, entre reflexão e afetos, entre ética-estética e política. Esse exercício dialógico-inventivo é, portanto, um referencial recursivo nessa proposta de extensão, pois é um princípio acompanhador dos fins e meios dessa caminhada de aprendizagens em mediações grupais e socioculturais. Daí que, esse exercício tem tido como ação fundante a realização de oficinas sobre dispositivos grupais e socioculturais nas quais o viés dialógico e inventivo perpassem as experiências educativas dos/as discentes participantes. Com essas oficinas, busca-se impulsionar as aprendizagens em torno da atuação e vivência em grupo e entre sujeitos de diversos lugares socioculturais e disciplinares. Dessa forma, pretende-se contribuir para a práticas de extensão e de estágios desses/as estudantes através tanto da experimentação de dispositivos técnicos e artísticos para trabalhos com grupos (a mediação grupal) quanto da leitura crítica e inventiva acerca dos conflitos em e entre grupos (a mediação sociocultural). Das oficinas acima mencionadas, já se pretende contribuir, de modo adicional, colaborativo aos processos formativos já pré-existentes dos/as discentes participantes em suas práticas de extensão e/ou de estágio. Dessa parte fundante deste projeto de extensão tem decorrido a segunda, que é tanto continuidade como inauguração de uma externalização de parte desses estudantes, que voluntária e desejosamente se disponibilizam, junto a grupos do entorno social da universidade, neste caso, Redenção e Acarape. Nesse segundo momento, pretende-me mais a promoção de encontros com tais grupos de modo a favorecer a leitura crítica e inventiva de suas realidades concretas e das potências das interações grupais, sobretudo, quando mobilizadas com vistas a uma integração intercultural e intergeracional (horizonte maior da mediação sociocultural). Com as Atividades Socioculturais com esses grupos sociais almeja-se colaborar em aprendizagens reconstrutivas e resignificações que proporcionem mudanças perceptivas acerca das suas realidades, em especial, dos temas que expressam seu universo social e existencial. Além disso, pretende-se uma maior interlocução entre a universidade e a sociedade, considerando os encontros interculturais, intergeracionais e interseccionais inerentes a esse processo. Em relação aos estudantes visa-se a colaboração em sua formação acadêmica e profissional no que concerne à apreensão de saberes teóricos e metodológicos referentes à mediação grupal e sociocultural. Tal processo tem buscado uma perspectiva interdisciplinar. Daí, espera-se a continuidade da contribuição paralela em suas próprias práticas de extensão e de estágio. Quanto aos discentes, estudantes voluntários, almeja-se os mesmos aspectos, somados à aprendizagem reconstrutiva acerca dos contextos relacionais e temáticos dos grupos sociais.