Resumen de ponencia
Epistemologias da Autonomia: as escolas dos movimentos sociais no Brasil
*Hellen Cristina De Souza
*Leonice Aparecida De Fátima Alves Pereira Mourad
Este trabalho esta relacionado a discussão sobre as características e os desafios da Educação Básica e formação de professores no Brasil em contextos sociais marcados pela luta pelo acesso e permanência na terra. Os dados analisados referem-se as escolas do campo, quilombo e indígenas da região central e sudoeste do estado de Mato Grosso entre os 2009 e 2017 e faz um recorte nas discussões propostas pelo projeto de pesquisa Rede de Pesquisa Internacional Terra como Princípio Educativo, ainda em andamento e financiado pela Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Mato Grosso - FAPEMAT. As atividades de pesquisa se organizam desde a perspectiva do trabalho coletivo com lideranças dos movimentos sociais no campo, povos indígenas e quilombolas e professores da Educação Básica e Superior e assim desde uma perspectiva dialógica buscam contribuir com a discussão que relaciona educação e diversidade tendo como ponto de partida o diálogo e o respeito aos modos de produzir e socializar o conhecimento dos povos indígenas, quilombolas e trabalhadores do campo no contexto da educação escolar básica e superior. Para este texto foram considerados os eixos relacionados ao mapeamento e interpretação de saberes locais de matrizes tais como as indígenas, as africanas e as campesinas relacionando-os com o tema dos currículos da Educação Básica e do Ensino Superior de modo a contribuir para o projeto de escolarização dos saberes tradicionais e o mapeamento das comunidades e dos saberes relacionados as comunidades remanescentes de quilombo na região das escolas do Território Quilombola Vão Grande e distrito do Currupira em Barra do Bugres/Mato Grosso. Neste momento o trabalho esta orientado para a reflexão sobre indicadores socialmente pertinentes. Se procura desenvolver um modelo cartográfico compreensível para as comunidades e que aposte em indicadores de fácil leitura e interpretação. Desde o diálogo com Paulo Freire e com os autores do grupo Modernidade/Colonialidade na América, principalmente Quijano e a discussão sobre a colonialidade do saber procura chamar a atenção para a necessidade de se pensar os efeitos do processo colonizador nas construções epistemológicas das escolas dos movimentos sociais. Considera que as demandas por políticas educativas das escolas do campo, quilombo e indígenas que se organizam tendo em comum a luta pela terra poderiam ser agrupadas a partir de três eixos: 1.domínio do referencial teórico acadêmico cientifico, como uma possibilidade entre outras de produzir e socializar o conhecimento; 2. Construção de uma relação dialógica e de respeito aos modos tradicionais de produzir e socializar o conhecimento; e 3. Compreensão que há uma função social da escola que deve estar subordinada a permanência na terra e as condições de sustentabilidade econômica social e ambiental. Organizados desta forma, como princípios norteadores, se constituiu a ideia de que estes eixos podem apontar para um tripé que constitui a noção da Terra como principio educativo. O rol de experiências analisadas neste texto pode demonstrar que os projetos educativos das escolas dos movimentos sociais busca contribuir para a consolidação de espaços de reflexão e diálogo com força para se movimentarem tanto no sentido de dar visibilidade aos saberes produzidos e socializados desde tempos imemoriais pelos povos indígenas, camponeses e quilombolas como para demonstrar os equívocos que a exclusão e a subordinação que a hegemonia da razão moderna, como um discurso colonizador, impôs aos sistemas de educação escolar do país. As ações já desenvolvidas revelam como as populações tradicionais organizam e socializam seus saberes e como estes podem dialogar com autonomia e protagonismo com os saberes chamados científicos. Em distintas esferas educacionais esta se desenvolvendo uma forte compreensão política de que o tema concreto da colonização e subordinação dos saberes tradicionais ao modelo hegemônico de produção do conhecimento capitaneado pela Ciência Moderna como única possibilidade e destino não pode mais sobreviver.