Print Friendly and PDF



Resumen de ponencia
FEMINISMO “PÓS”: para uma crítica materialista de seus fundamentos

*Maria Cecilia Olivio
*Maria Regina De Avila Moreira
*Patricia Laura Torriglia



O feminismo e as diversas concepções acerca dele explicam-se pelo processo histórico que possibilitou sua emergência. As distintas concepções de atuação e perspectivas da variedade de movimentos feministas que vem à cena dos movimentos sociais, tanto em sua gênese quanto na contemporaneidade, tem como uma de suas principais divergências as perspectivas que se referem tanto a campos teórico-filosóficos opostos, como à matriz teórico-metodológicas de cada um deles. Tais distinções expressam diferenças no plano político (MOREIRA, 2003). Como resultado do movimento de mulheres, o feminismo leva ao debate teórico de suas categorias, que são expressão do modo como cada corrente do feminismo compreende e significa o mundo e, nesse sentido, referendam determinada prática. Esta distinção é necessária na medida em que, neste artigo, procura-se realizar a discussão a partir de uma crítica ontológica, já que toda prática humano-social é teleológica, ou seja, possui uma intencionalidade, “[...] depende crucialmente de uma significação ou figuração do mundo mais ou menos unitária e coerente, não importa se composta por elementos heterogêneos como ciência, religião, pensamento do cotidiano, superstição etc” (DUAYER, 2011, p. 92). O modo como o mundo é significado, a compreensão deste, “[...] permite o aprofundamento dos fenômenos, elemento fundamental para analisar, refletir sobre as possibilidades de intervenção e de mudança no mundo objetivo – a realidade” (TORRIGLIA, CISNE, 2012, p. 267). Nesse sentido, há a necessidade de demarcar a perspectiva da discussão aqui apresentada, que parte de concepção tomada de Lukács (2009, p. 226), que assevera que “[...] todo existente deve ser sempre objetivo, ou seja, deve ser sempre parte (movente e movida) de um complexo concreto”. Em decorrência desta afirmação tem-se que todo ser e tudo o que o envolve é tomado como um processo histórico e que as categorias não são tidas apenas como algo que é ou que se torna, mas são determinações da existência, do movimento histórico. Nesse sentido, uma das principais concepções apontadas aqui é que as categorias, justamente, são históricas. Toda análise que se faz em relação às dimensões do ser social deve, portanto, ter esta perspectiva: histórica. Tendo em vista, portanto, a multiplicidade de discussões desencadeadas pelas diversas vertentes do movimento feminista que, igualmente, iluminam distintas formas de conceber o movimento e suas possibilidades de transformação, pretendemos realizar um debate teórico sobre um de seus principais conceitos, o de gênero, desde uma perspectiva da ontologia crítica, buscando compreender o ser, a conformação de seus fundamentos, apreensão de seus nexos mediadores, para a crítica da compreensão de um campo do feminismo, que aqui denominaremos no amplo espectro do pós-moderno . Neste, a discussão de gênero centraliza o debate na construção identitária, autonomizando as relações de dominação, opressão e exploração. Além disso, as análises amparadas nesse amplo espectro denominado pós-moderno apreende a cultura dissociada da base material da vida. Assim, esse artigo busca compreender a conformação de seus fundamentos e nexos mediadores a partir da perspectiva do materialismo histórico-dialético.

Referências:
DUAYER, Mário. Marx e a Crítica do Trabalho no Capitalismo. Margem Esquerda Ensaios Marxistas n. 17. São Paulo. Boitempo Editorial. 2011.
LUKÁCS, Gyorgy. As Bases Ontológicas do pensamento e da atividade do homem. In: LUKÁCS, György. O jovem Marx e outros escritos de filosofia. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2009.
MORAES, Maria Célia Marcondes de. “Pós-ismos” e outras querelas ideológicas. Perspectiva. n. 24, p. 45-59. Florianópolis: UFSC/CED, NUP, 1996. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/perspectiva/article/viewFile/10856/10334. Acesso em: 20 maio 2018MOREIRA, Maria Regina de Ávila. A Constituição de Gênero no Serviço Social: Um estudo a partir das manifestações de empregadores e assistentes sociais (Doutorado em Serviço Social). São Paulo: PUC, 2003.
TORRIGLIA, Patricia Laura; CISNE, Margareth Feiten. Processo de produção e de apropriação do conhecimento: o papel da atividade como prioridade ontológica. Educação em Perspectiva. v. 3, n. 2, p. 263-281. Viçosa, jul./dez. 2012. Disponível em:https://docs.google.com/viewerng/viewer?url=http://www.seer.ufv.br/seer/educacaoemperspectiva/index.php/ppgeufv/article/viewFile/244/86. Acesso em 20 maio 2018.




......................

* Olivio
Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC. Florianópolis/SC, Brasil

* Moreira
Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC. Florianópolis/SC, Brasil

* Torriglia
Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC. Florianópolis/SC, Brasil