Resumen de ponencia
A relação entre Capitalismo e Escravidão a partir de estudos sobre a Revolução Haitiana.
*Lays Caroline Do Carmo E Silva
O Haiti apesar de situado no Caribe, precisamente na Ilha de Hispaniola na América Central, quase nunca é citado nos livros atribuindo a países colonizadores espaço para narrar a sua história de modo coadjuvante. O que fica diante dessa falta de produção sobre o Haiti é um silenciamento de um passado marcado por uma revolução escrava que transformou o mundo quebrando barreiras raciais e tornando-se o primeiro pais a ter autonomia política e conquistar a independência.
Por quase uma década, antes que o afastamento dos brancos sinalizasse seu recuo deliberado de princípios universalistas, os jacobinos negros de São Domingos colocaram-se à frente da colônia ao realizar ativamente o objetivo iluminista da liberdade humana, parecendo oferecer prova de que a Revolução Francesa não era simplesmente um fenômeno europeu, mas um evento com implicações históricas de alcance mundial. Se nos acostumamos a diferentes narrativas, àquelas que situam os acontecimentos da história europeia, então fomos seriamente enganados. Os eventos em São Domingos foram cruciais para os esforços contemporâneos de extrair sentido da realidade criada pela Revolução Francesa e seus desdobramentos.
Durante muito tempo, autores observaram o fato da Revolução Haitiana e a apreenderam como mais um dos elementos da Revolução Francesa. Obras europeias do século XIX e XX deixaram passar toda uma história de resistência de um povo e a reflexão dos impactos causados até hoje no Haiti, além de negar a perspectiva do olhar dos escravizados em relação à Revolução Haitiana, deslegitimando uma revolta escrava na história das grandes revoluções.
A Revolução Haitiana transformou o mundo envolvendo diretamente três continentes “África, Américas e Europa”, tratando-se em suma de um evento de impacto mundial, cuja consciência crítica é indispensável para entender a história da política moderna. Ao criar uma sociedade em que todas as pessoas, de todas as cores, receberam liberdade e cidadania, a Revolução Haitiana transformou para sempre o mundo, havendo participação fundamental na destruição da escravidão nas Américas e, portanto, um momento crucial na história da democracia, que estabeleceu as bases para as contínuas lutas pelos direitos humanos em todos os lugares.
O presente trabalho visa compreender a relação entre Capitalismo e Escravidão a partir da Revolução Haitiana. Para a compreensão sobre o processo histórico de escravidão nas Américas e a formação do capitalismo a partir de meios escravistas, o livro “Capitalismo e Escravidão” de Eric Williams (1975) irá trazer questões sobre o presente trabalho e compreensão histórica da exploração dos africanos escravizados nas áreas rurais do Novo Mundo e a formação do capitalismo industrial na Inglaterra. Ao longo do meu trabalho, aplicarei as explicações de Williams (1975) sobre assuntos respeitáveis como “Compreender a escravidão negra como um fenômeno econômico e o racismo a serviço da exploração de classe” e “Papel da resistência escrava”, para consequentemente fazer uma analise mais extensa de como a escravidão afetava e lucrava a América, chegando até a região do Caribe, respectivamente, São Domingos.
C. L. R. James (2000) e seu livro “Os jacobinos negros”, uma das mais completas obras sobre a Revolução Haitiana, compromete-se a explorar as causas do acontecimento da Revolução Haitiana, colocando os negros como sujeitos do processo histórico do Haiti e reconhecendo a liderança de Tossaint L’Ouverture e outros negros que foram importantes da atuação dos conflitos pela independência. James (2000) baseia-se em documentos históricos para narrar a história do Haiti, sua revolução, até a independência. O autor perpassa por inúmeros elementos importantes para legitimar a Revolução Haitiana, como imperialismo, exploração dos escravos e dos trabalhadores, revolta das massas trabalhadoras, para contar de forma límpida a trajetória de uma sociedade em busca da sua liberdade.
A Revolução Haitiana, que segundo Tomich (2009) será como uma “cadeia de eventos”, cuja continuidade contém simultaneamente aquilo que será explicado e a explicação, apresentando questões gerais da habilidade a partir de estratégias que proporcione a liberdade através de elementos que legitime a luta revolucionária e a formação de um estado independente.