Esta comunicação tem por objetivo apresentar algumas reflexões acerca do papel estratégico do/a professor/a de história na implementação de temas afrodescendentes no currículo escolar, tendo como base as publicações - Orientações e Ações para a Educação das Relações Étnico-Raciais, Brasil 2006 e o Guía para docentes sobre afrodescendentes Y cultura Afro: Afroargentin@s, Argentina, 2014. A leitura do Guía Afroargentin@, lançado pela Agrupación Afro Xangó, plataforma voltada para a justiça social, inclusão e equidade em parceria com a Confederação de Trabalhadores da Educação da Argentina, despertou o interesse quanto a recepção e usos do guia por professores/as nas escolas argentinas, pois é possível notar desde o título do guia, que a/o professor/a será o/a principal articulador/a desse trabalho salutar, que busca reestabelecer no tempo presente, a luta contra o racismo e a invisibilidade na identidade nacional argentina das raízes culturais africanas, tendo as práticas docentes como ações transformadoras.
No Brasil a introdução de temas afrodescendentes no currículo escolar tornou-se obrigatório através da Lei 10639 de 2003. Resultante da luta dos movimentos negros no Brasil, esta lei foi sancionada no nono dia do primeiro mandato do ex- presidente Luís Inácio Lula da Silva. Passados quinze anos, a lei foi modificada pela Lei 11.645, em 10 de março de 2008, segundo mandato de Lula, para incluir o ensino de História e Cultura indígena. Alguns avanços já são perceptíveis, tendo em vista publicações de pesquisas acadêmicas no campo da História e do ensino de História e multiplicidade de outros materiais que revelam saberes e práticas que podem colaborar para efetivar a inserção de temas afrodescendentes no currículo escolar. Entre esses, insere-se as Orientações e Ações para a Educação das Relações Étnico-Raciais, Brasil 2006, que assim, como o Guía Afroargentin@, postula ser um ponto de apoio aos professores nesse campo.
Considerando nossos pontos em comum, enquanto países vizinhos, nossas lutas contra o racismo e a discriminação e atenção para nossas experiências compartilhadas, municiada de pensamento critico, construir diálogos acerca de ações, mapeando nossas aproximações e distanciamentos, construindo ações conjuntas que fortaleçam a educação para a diversidade e equidade, mesmo diante das ameaças à democracia que os dois países estão enfrentando na contemporaneidade.
Palavras-Chaves: Afrolatinidades, Diversidade, Docência, Ensino, História.
Referências:
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